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Paginando o sonhar

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  • Texto e fotos de Izabela Fernandes –

Em 28 de 0utubro, o Ponto de  Cultura Tirando de Letra realizou oficina literária com os estudantes do 3° ano, turma C,  da Escola Municipal Isidoro de Lima, completando o cronograma mensal que previa a confecção de revista artesanal com as crianças.

Para produzir o “fanzine”, os estudantes primeiro tiveram a experiência de aguçar a atenção para detalhes de fotografias. Para tanto, utilizamos a exposição “Do tamanho que vejo”, com fotos elaboradas por adolescentes do Norte do Paraná.

O desafio foi o de buscar interpretar a intenção e as possibilidades de leitura que o olhar do autor sugeriu em cada obra. Depois de percorrer o varal improvisado com as imagens, as crianças voltaram à sala de aula para soltar a imaginação e expressarem suas conclusões através da escrita, do desenho e da colagem.

A liberdade do tema proporcionou uma grande variedade de trabalhos. Entre as produções, se podia encontrar histórias de vegetais falantes, árvores dos sonhos, flores dançarinas, músicas e ilustrações de capoeira, jardins s mágicos, e muitas outras derivações do que no príncipio era o conjunto de fotografias.

A garotada mostrou que é possível nas pequenas, mas atrativas linhas e detalhes, se encontrar uma riqueza de repertório para impulsionar a produção da poesia.

No final, animados e embalados pelas canções que sabem de capoeira compartilharam suas produções, trocando seus saberes e impressões.

(Izabela Fernandes é voluntária do Coletivo Mão na Roda, organizado pelo Ponto de Cultura Tirando de Letra. Estuda Mediação Cultural na Unila, em Foz do Iguaçu, Pr)


Cinetexto

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  • A vida passando como se fosse um filme. (Texto e fotos de Kariny Wermouth) – 

cinetexto-outubro1menorPara o mês de outubro, o Ponto de Cultura Tirando de Letra guardou uma atividade especial no módulo CineTexto, que foi discutir as chances e a temática do “Que horas ela volta”, filme protagonizado pela atriz Regina Casé e que representará o Brasil no prêmio “Oscar”, em 2016. A primeira reunião, foi no  Colégio Estadual Paulo Freire, contando com a participação de 17 alunos da turma “A”, da terceira série do ensino médio.

A obra cinematográfica dirigida por Anna Muylaert, aborda a história de uma empregada doméstica e o seu cotidiano. O filme foi escolhido para a atividade como forma de dar continuidade às diversas inquietações que nós, como ponto de cultura, estamos propondo aos jovens da Vila C. É impossível pensar nas nossas expressões e linguagens sem fazer um trabalho profundo de nos voltarmos para a vivência de cada um.

Sugerimos com as iniciativas do projeto de que isso não pode ser realizado de forma individualista e descontextualizada, senão como um olhar atento ao nosso tempo e espaço no mundo que caracterizam boa parte do que somos. E é com esse propósito que o CineTexto, também desta vez, acabou emergindo como um pequeno intervalo feito para pensar a realidade e, por consequência, todos os presentes e suas particularidades. O conteúdo extremamente atual da obra nos brindou diversos elementos riquíssimos para pensarmos algumas coisas. Como o filme é bastante longo, nosso  tempo para conversa não foi tão grande, porém significativo.

cinetexto-outubro2menorTalvez o aspecto mais rico dessa experiência ao debatermos “Que horas ela volta?” foi nos ajudar a pensar como os fatos que estão tão próximos no nosso cotidiano são naturalizados pelas relações sociais. Tocamos em temas como que foram da desvalorização de trabalhadores que ocupam determinadas funções até a relação de alunos de escolas públicas com o vestibular. Passamos pela nova legislação que o Brasil adotou para o trabalho doméstico e avançamos a conversa até os limites e preconceitos sociais que são impostos como intransponíveis.

O formato de roda de conversa nos possibilita o compartilhamento de dúvidas, ideias, transformações. O entendimento do cinema como uma linguagem aberta também nos faz entender a vida em comunidade como algo diversificado e com muitas matizes, uma experiência democrática importante para os adolescentes presentes no trabalho. Afinal, o CineTexto propõe o questionamento e a ampliação do repertório dos jovens, livremente, como a possibilidade de se reescrever o que parece estar cristalizado e imutável.

(Kariny Wermouth é mediadora de leitura do Ponto de Cultura Tirando de Letra em Foz do Iguaçu, Pr.)