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Degradação

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  –  Um poema de Mano Zeu
e uma foto de Santiago Salles –  

santiago salles acariciando la luz

DEGRADAÇÃO

Mataram as onças, as cobras
Paca, cutia, arara, perdiz
Mataram macacos e tamanduás
Raposas, lagartos e javalis
Cortaram as árvores
Plantaram as casas
Um lar, um lugar
Para serem feliz
A sociedade de concreto e aço
Num passo
Fia o fio do próprio fim…
– Tatú?!
– Só no nariz


Mano Zeu é DJ e poeta em Foz do Iguaçu, Pr.
Poema publicado na revista Escrita 41.
“Acariciando a Luz”, fotografia de Santiago Salles. Ele é antropólogo e vive no Uruguai.


Dia da Mãe Terra

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  “Para alcançar um equilíbrio justo entre as necessidades econômicas, sociais e ambientais das gerações presentes e futuras é necessário promover a harmonia com a natureza e com a Terra”. Este é um fragmento do texto da Organização das Nações Unidas (ONU), instituindo 22 de abril como o “Dia Internacional da Mãe Terra”.

Este ano, o Dia da Mãe Terra coincide com a data de assinatura do “Acordo de Paris”, sobre a mudança climática. O acordo foi aprovado por 196  países em Paris no final de 2015.

No documento, os signatários se comprometem a trabalhar para limitar o aumento da temperatura global abaixo de 2 graus centígrados. Agora, com a assinatura em 2016, se dá o primeiro passo para que o Acordo tenha um vigor jurídico.

O Dia da Terra começou a ser celebrado em 1970, nos EUA, e foi depois assumido oficialmente pela ONU. A ideia de seus organizadores à época era ampliar e diversificar o movimento ambiental, nascente naqueles dias, por todo o mundo.


ONU

 


Mil possibilidades

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  – Unioeste abre inscrições para intercâmbio de graduação.
São mais de mil vagas de um semestre em 20 instituições de todo o País  –  

LOGOunioeste1A Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) por intermédio da Assessoria de Relações Internacionais e Interinstitucionais (ARI) abriu inscrições para o Programa de Mobilidade Nacional da Associação Brasileira dos Reitores da Universidades Estaduais e Municipais (Abruem). Nesta edição, estão sendo ofertadas 1.016 vagas de intercâmbio de graduação de um semestre nas mais diversas áreas do conhecimento para 20 instituições de Ensino Superior de todo o País.

O edital de seleção para alunos provenientes de outras instituições que almejem uma das 42 vagas ofertadas pela Unioeste, nos cursos de Farmácia, Pedagogia, Fisioterapia, Ciência da Computação, Ciências Biológicas, Direito, História, Ciências Contábeis, Serviço Social, Ciências Econômicas e Secretariado Executivo nos diferentes campi, devem acessar a página www.unioeste.br/ari e se inscrever no Programa.

Os candidatos de outras instituições devem estar regularmente matriculados em qualquer uma das universidades participantes da Abruem. Não podem estar cursando nem o primeiro período nem o último da graduação nas universidades de origem e devem aceitar os termos da mobilidade na Unioeste.

A seleção dos alunos da Unioeste, em qualquer área do conhecimento, que querem uma dessas vagas deverá ocorrer diretamente no site da instituição desejada. A ARI auxiliará o corpo discente em sua candidatura em outras instituições com a emissão de carta de recomendação, dentro dos termos do Programa e outras correspondências institucionais para a realização da mobilidade. Mais informações poderão ser obtidas diretamente no site do Programa: www.mobilidade.abruem.org.br

Para o coordenador institucional do Programa na Unioeste, o professor Rafael Mattiello, “esta é mais uma importante iniciativa para a troca de experiências e vivências científicas para o nosso corpo discente em nosso País. Desta maneira, os nossos alunos poderão experimentar outras culturas, outras maneiras de fazer ciência e de interação humana mesmo sem sair de nosso país”.


Assessoria

 


¿Qué les queda a los jóvenes?

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  –  Um poema de Mário Benedetti  –  

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¿Qué les queda por probar a los jóvenes
en este mundo de paciencia y asco?
¿sólo grafitti? ¿rock? ¿escepticismo?
también les queda no decir amén
no dejar que les maten el amor
recuperar el habla y la utopía
ser jóvenes sin prisa y con memoria
situarse en una historia que es la suya
no convertirse en viejos prematuros

¿qué les queda por probar a los jóvenes
en este mundo de rutina y ruina?
¿cocaína? ¿cerveza? ¿barras bravas?
les queda respirar / abrir los ojos
descubrir las raíces del horror
inventar paz así sea a ponchazos
entenderse con la naturaleza
y con la lluvia y los relámpagos
y con el sentimiento y con la muerte
esa loca de atar y desatar

¿qué les queda por probar a los jóvenes
en este mundo de consumo y humo?
¿vértigo? ¿asaltos? ¿discotecas?
también les queda discutir con dios
tanto si existe como si no existe
tender manos que ayudan / abrir puertas
entre el corazón propio y el ajeno /
sobre todo les queda hacer futuro
a pesar de los ruines de pasado
y los sabios granujas del presente.


Mario Benedetti, escritor uruguaio.


A Ilusão

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  –  Crônica de Luis Fernando Veríssimo  –  

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Cena da política brasileira retratada pela genialidade de Angeli.

Gosto de imaginar a História como uma velha e pachorrenta senhora que tem o que nenhum de nós tem: tempo para pensar nas coisas e para julgar o que aconteceu com a sabedoria — bem, com a sabedoria das velhas senhoras. Nós vivemos atrás de um contexto maior que explique tudo mas estamos sempre esbarrando nos limites da nossa compreensão, nos perdendo nas paixões do momento presente. Nos falta a distância do momento. Nos falta a virtude madura da isenção. Enfim, nos falta tudo o que a História tem de sobra.

Uma das vantagens de pensar na História como uma pessoa é que podemos ampliar a fantasia e imaginá-la como uma interlocutora, misteriosamente acessível para um papo.

— Vamos fazer de conta que eu viajei no tempo e a encontrei nesta mesa de bar.

— A História não tem faz de conta, meu filho. A História é sempre real, doa a quem doer.

— Mas a gente vive ouvindo falar de revisões históricas…

— As revisões são a História se repensando, não se desmentindo. O que você quer?

— Eu queria falara com a senhora sobre o Brasil de 2016.

— Brasil, Brasil…

— PT. Lula. Impeachment.

— Ah, sim. Me lembrei agora. Faz tanto tempo…

— O que significou tudo aquilo?

— Foi o fim de uma ilusão. Pelo menos foi assim que eu cataloguei.

— Foi o fim da ilusão petista de mudar o Brasil?

— Mais, mais. Foi o fim da ilusão que qualquer governo com pretensões sociais poderia conviver, em qualquer lugar do mundo, com os donos do dinheiro e uma plutocracia conservadora, sem que cedo ou tarde houvesse um conflito, e uma tentativa de aniquilamento da discrepância. Um governo para os pobres, mais do que um incômodo político para o conservadorismo dominante, era um mau exemplo, uma ameaça inadmissível para a fortaleza do poder real. Era preciso acabar com a ameaça e jogar sal em cima. Era isso que estava acontecendo.

Um pouco surpreso com a eloquência da História, pensei em perguntar qual seria o resultado do impeachment. Me contive. Também não ousei pedir que ela consultasse seus arquivos e me dissesse se o Eduardo Cunha seria presidente do Brasil.

Eu não queria ouvir a resposta.


Extraído da ‘Coluna Veríssimo’, no jornal ‘O Globo’

 


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