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As amizades da Guatá

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  –  A realização de cada revista Escrita é aventura dessas que  tem seu diário
de bordo,
com histórias que se permeiam. Uma dentro da outra, elas sempre
têm a marca especial da generosidade de velhos e novos amigos.
Tem sido assim a experiência
de se reunir e compartilhar a expressão criativa
de tanta gente. Na edição 41, a foto da capa, por exemplo, não foi diferente.  – 

__escrita41Quando o Miguel Solano, fotógrafo morador de Recife, passou já de noitinha pelo artesanato bonito exposto na calçada da beira-mar, não pensou duas vezes. Registrou a combinação interessante do breu, do cheiro de areia e das cores daquela personagem que calmamente dispunha arte pelas mãos ágeis. Só foi depois, quando voltou para presentear a foto, que ficou sabendo algo sobre Maria Isabel. A colombiana, já vivia fazia algum tempo de sua artesania experimentando a imensidão do Brasil. Em troca, Miguel contou para ela que gostava de fotografia, poesia e tudo que pudesse expressar sua inquietação e canalizar seu humor sobre a vida. Mal sabia ele que, por conta desse diálogo rápido, logo, logo, o seu jeito de olhar ia ser convidado a estampar a capa de uma publicação num cantinho de Foz do Iguaçu, no Sul do País.

Acontece que a artesã gostou de como Miguel a viu e resolveu expor em uma rede social a foto para identificar seu próprio perfil.  Então, a casualidade do encontro da arte dos dois se desdobrou em outra emoção. Pela qualidade da foto, Isabel foi indagada da chance do autor dizer sim para uma publicação que não conhecia. A artesã, que havia acompanhado o nascimento da “Escrita” na sua passagem pelo Paraná, não fez menos e logo em seguida estava diminuindo a distância entre as suas velha e nova amizades presenciais. Se não bastasse as cores da capa 41, a Escrita ganhou em suas páginas internas um ensaio fotográfico dos olhos curiosos do mais novo colaborador, ainda virtual, da aventura Guatá.

"No Céu", fotografia de Fernanda Pimentel Lopes, na Isla del Sol, no Lago Titicaca. Há quase 4 mil metros de altitude, na Bolívia.

“No Céu”, fotografia de Fernanda Pimentel Lopes, na Isla del Sol, no Lago Titicaca. Há quase 4 mil metros de altitude, na Bolívia.

A edição 41 – Histórias como esta sempre fazem da produção de um número de Escrita, algo especial. Como numa teia, correias de transmissão funcionam de muitas formas. E, via de regra, estabelecem formas muito próprias de se transformarem em breves mensagens a um público que é autor ao mesmo tempo. Junto com o Miguel Solano, por exemplo, a 41 traz o que os olhos de Fernanda Pimentel, estudante de Antropologia, e Denise Paro, jornalista, viram para sempre em recentes viagens. A primeira, nos oferece os mistérios da altura do Lago Titicaca, na Bolívia; a outra, admira quem a admira na secularidade de Roma, na Itália. Num rápido registro visual, como um daqueles antigos telegramas, fazem conter suas ideias e emoções, num complexo código de aproximação humana conosco, que esperamos para ver o que o outro tem a dizer e contar ao folhearmos a Escrita.

Nesta edição, há também outros olhos. Num jeito muito próprio de contar, o ilustrador Lalan Bessoni e o pintor Rogério Silva, ambos iguaçuenses e autodidatas, abastecem de criatividade outras páginas da revista.

“Em terra de olho
Quem tem um rei é cego”
(Mano Zeu, na Escrita 41)

Histórias de poetas – Entre aqueles que preferem as palavras, há um leque diversificado, que vai do portunhol salvage do consagrado Douglas Diegues, à subversão inteligente dos poemas do rap Mano Zeu e da arteeducadora Elisa Mishta Prem. Emparelham-se com eles, os escritos de Maísa Melara, Maria Eduarda, Firmo Scheuer, Andrea Palmar, Fátima Lessa e de Silvanio de Jesus. De São Paulo recebemos boas notícias da sensibilidade iguaçuense de Carol Miskalo, uma efetiva colaboradora do nascimento dos projetos de leitura da Guatá.

Outros dois paranaenses nos emprestam sonhos na ficção de suas prosas. Matheus Mendes, estudante de Medicina, que é contista desde sempre, e o escritor curitibano Márcio Renato dos Santos nos desafiam à uma boa leitura de casos interessantes. Junto a eles, a dramaturga argentina Isabel Sala nos presenteia com mais um minimonólogo escrito em espanhol.

Compõem também com uma boa prosa, a crônica de Fernanda Regina, que discorre sobre o individualismo; e Fiama Eloísa, jornalista recém formada em Londrina, que fala da experiência de ser negra em nosso país.

Áurea Cunha e Kariny Wermouth documentam a experiência de oficinas de fotografia como instrumento de inclusão nas escolas de Foz do Iguaçu. E, fechando a edição com palavras pra lá de sábias, Letícia Scheidt em “Um Ode à Diversidade” resume uma humana vontade pela liberdade e autonomia perante a formatação perigosa que a sociedade contemporânea impõe a todos.

A Escrita 41 pode ser pedida pelo email guata@guata.com.br . Boa leitura.


Guatá

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