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‘As pessoas e suas preferências…

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  –  Uma crônica de Micaele Jenifer  –  

alienacaoAs pessoas não se importarão com seus conhecimentos sobre coisas que te fascinam e que estimulam sua imaginação, como astronomia, mitologia ou arte e poesia, eles querem saber se você decorou os conteúdos que cairão em provas ou concursos, apenas esse conhecimento será considerado válido.

Elas não se importarão com seus talentos ou capacidades, elas querem saber de suas notas escolares, seu currículo profissional e se caso um dos teus talentos possa realmente te trazer dinheiro, aí elas se importarão com suas particularidades.

As pessoas não se importam se você é capaz de escrever poemas, expressar seus sentimentos ou inventar estórias para o papel, elas querem saber se sua escrita é capaz de alcançar uma nota 1000 em alguma prova de redação, então sua escrita será valorizada.

As pessoas não se importam com o seu lado substancial, mas sim com seu lado funcional: se você traz lucro, se você possui um status respeitável, te julgam por notas, por números. Elas não querem saber como você é como indivíduo, querem saber quem e o que você é na sociedade para poder te colocarem em alguma posição social que seja condizente com seu status, assim você será tratado pela sua posição, não por ser uma pessoa.

Por isso, hoje as pessoas vivem de modo falso, de modo funcional, procurando desesperadamente alcançar uma posição elevada no status social para sentirem-se incluídas nesse ranking superficial…

As pessoas perderam a essência, pois a mesma já não é mais valorizada… Elas querem saber o que você tem, não o que você é.

É tão difícil ser um pouco humano em uma sociedade onde as pessoas agem como máquinas…
Sentirei-me pra sempre uma intrusa, uma nômade perdida nessa sociedade metódica…’


Micaele Jenifer é estudante de Antropologia, na Unila, em Foz do Iguaçu, Pr.
Texto publicado na revista Escrita 45.


flautista amadora

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  –  Um poema de Cynthia Lopes  –  

flautista amadora

cynthia
eu faço versos
como quem canta.
(assim, não pareço
tão louca, enquanto
falo sozinha)

eu faço versos
como quem canta,
para hipnotizar
estas serpentes
dormentes no peito.

eu faço versos
como quem canta:
este canto vivo
de repentes.

eu faço versos
como quem encanta
e de tudo faz
pra mudar
seu presente.


Cynthia Lopes é poeta e servidora pública federal no Rio de Janeiro, RJ.


Lançamento!

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Dentro e fora do gramadão, eventos de arremesso têm recordes em Foz. 
Notebook registra nova marca e torneio de celular tem uma bicampeã

celular-arremesso-2Já consagrado como recordista de arrecadação de alimentos, o arremesso de celular e o torneio de arremesso de notebook superaram nova marca em 2016: angariaram 10,2 toneladas de doações. É o maior volume já registrado em toda a história do evento. Pouco mais de 9 toneladas foram doadas pelas 29 empresas apoiadoras da iniciativa e outros mil quilos pelos 441 participantes.

E dentro do gramado teve recorde também em uma das provas. Foi na 8ª edição do Torneio Mundial de Arremesso de Notebook, realizada neste domingo, 30, no Gramadão da Vila A, em Foz do Iguaçu. O atleta Edson André Cestori atirou o equipamento a uma distância de 35,02 metros, 3,28 metros a mais do que o registrado pelo recorde anterior.

Na 9ª edição do Torneio Sul-Americano de Arremesso de Celular, uma veterana da prova, a tenente do Corpo de Bombeiros Janaina Fagundes, se consagrou bicampeã. Ela foi a primeira colocada com a marca de 43,8 metros.

Todo o alimento será entregue a 17 entidades assistenciais da cidade. Ao longo das nove edições, os torneios arrecadaram mais de 30 toneladas de alimentos.

celular-arremesso3Vencedores – “Sou lançador de dardo. Apesar de serem totalmente diferentes, acredito que os treinos com o dardo me ajudaram um pouco”, contou o campeão. O segundo colocado foi Jackson Silvetri, com 34,69 metros, seguido de André Rodrigues, com 31,35 metros.

Celular – No celular, a segunda colocada foi Lorrana Mayara com 41,18 metros. Na edição anterior ela tinha arremessado a 39,02 metros e ficado com o terceiro lugar. Completou o pódio, Izolda Tristão, com 33,89 metros.

Na categoria masculina Cícero Aparecido Wur atingiu a marca de 96,31 metros. O segundo lugar ficou com Bruno Moreira Rodrigues que atingiu 88,75 metros, seguido por Gilson José Hortniann, com 86,14 metros.
Para os ganhadores foram entregues R$ 15 mil em prêmios. Entre eles, diárias de hotel, almoços, visitas à Itaipu e ao Parque das Aves, passeio de barco do passeio Macuco Safári, óculos de sol, combustível, ingressos de cinema e curso de manutenção de notebook.

Os organizadores avaliam que a cada ano o evento conquista mais adeptos para a causa ambiental. (Fotos: Zanella)

Os organizadores avaliam que a cada ano o evento conquista mais adeptos para a causa ambiental. (Fotos: Zanella)

Avaliação – “O melhor do evento é que a cada ano vemos um interesse maior por parte da comunidade. É um domingo para a família se divertir, num campeonato que reúne uma disputa saudável e ajuda pessoas que precisam de alimentos”, avalia o coordenador dos torneios, Gabriel Antônio Campos Neto, da Divisão de Planejamento e Atividades Especiais (SESE.AD), da Itaipu.

Para a família – Os torneios são ecléticos e para todas as idades. A participante mais velha foi a aposentada Geralda Batista, de 94 anos. E o mais novo, Jesus Adrian, de apenas 1 mês de vida.

Geralda não perde uma edição da disputa. Desta vez, mesmo com dificuldades para se locomover foi ao Gramadão jogar longe seu celular velho. “Estava muito ansiosa. Nem que fosse para o celular cair nos meus pés, eu jogaria. Consegui mais; uns três metros. Estou feliz”, contou.

Já o pequeno Jesus Adrian, claro, acompanhou tudo do colo dos pais, Leo Ribas e Lurdes Benites, que moram em Ciudad del Este. “Resolvemos trazer nosso filho para passear. Foi uma boa escolha. É um evento muito divertido e para toda a família”.

Gabriel Andrade, de 11 anos, também quis experimentar a brincadeira: “Estou me divertindo e evitando poluir a cidade. Lixo eletrônico precisa ter destino certo”.

Outras categorias – No Juvenil feminino, Maisa Angler fez o celular voar 37 metros; 13 metros a mais que na edição passada, quando ficou em segundo lugar. Depois, Jumara Elakin marcou 32,82 metros, e Larrisa Lotiro, 28,42 metros.

Na categoria juvenil masculino, Alexandre Mendonça marcou 46,15 metros. O segundo colocado foi Henrique da Costa, com 43 metros, e Felipe Magalhães, em terceiro, com 40,29 metros.

Lixo eletrônico – Além da distribuição dos alimentos, as equipes do Lion Cataratas e da empresa Krefta Tecnologia em Serviços recolheram durante os torneios uma tonelada de lixo, como celulares, notebooks, computadores e televisores. Tudo será reciclado.

“A cada edição recebemos mais lixo eletrônico. As pessoas estão mais conscientes sobre a destinação correta dos aparelhos velhos. Depois de hoje, há menos uma tonelada de lixo eletrônico contaminando nosso solo e água”, disse o empresário Carlos Silva, do Lion Cataratas. Nos últimos seis anos, foram recolhidos, separados, desmontados, descontaminados e enviados para reciclagem quase 30 toneladas de lixo eletrônico.

Saúde – Durante todo o dia, quem passou pelo Gramadão também teve a oportunidade de participar do 3º Mutirão de Saúde, com medição de pressão, teste rápido de HIV, sífilis e hepatite, entre outros.

Os torneios – O Torneio de Arremesso de Celular foi criado em Foz do Iguaçu em 2008 para comemorar o aniversário da área de Segurança Empresarial da usina de Itaipu. A ideia era ajudar instituições assistenciais com doação de alimentos e conscientizar a população sobre o correto destino do lixo eletrônico. Atualmente, o torneio de Foz do Iguaçu é o maior evento desta modalidade no mundo.
Já o Mundial de Arremesso de Notebook é o único no mundo e tem o objetivo de chamar a atenção para a quantidade de produtos eletrônicos produzidos no planeta.


(Itaipu Binacional)


Você tem fome de quê?

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Tirando de Letra promove literatura e arte na Feira do Bosque Guarani.
Mantido pela associação Guatá, o projeto oferece ações gratuitas
para estimular a leitura e a escrita

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Na cesta da feira, literatura, livros, exposições e fragmentos de contos, textos e poesia. Os produtos literários são compartilhados gratuitamente em feiras livres de Foz do Iguaçu, pelo projeto Tirando de Letra, da associação Guatá. A atividade nas feiras tem o apoio da Fundação Cultural e visa popularizar a leitura e incentivar a expressão das pessoas por meio da palavra escrita. Na última sexta-feira, 28, a iniciativa cultural foi realizada na Feira do Bosque Guarani.

O programa dispõe de acervo de livros, revistas, quadrinhos, cordéis e uma vasta variedades de impressos com trechos de obras, contos, crônicas, poemas e textos de opinião. As exposições apresentam fragmentos literários, poesias, artes visuais e fotos históricas de Foz do Iguaçu. As atividades são realizadas por mediadores de leitura, responsáveis pela interação entre os leitores e pelo apoio à produção de textos elaborados pelos visitantes.

Adrian: eu não sabia que você podia abrir a geladeira e encontrar livros para ler. (Fotos: Áurea Cunha)

Adrian: eu não sabia que você podia abrir a geladeira e encontrar livros para ler. (Fotos: Áurea Cunha)

O estudante Adrian Ricardo Pereira Bus, de 11 anos, frequenta a Feira do Bosque Guarani acompanhado da tia e surpreendeu-se com a banca literária, principalmente com a geladeira que guarda livros e revistas, parte dos recursos do programa para difundir a leitura.

“Achei muito criativo, uma geladeira para guardar livros”, conta. “Aprendemos sobre poesia, fizemos boneca de pano, ouvimos histórias e brincamos”, complementa o estudante.

Durante a realização do projeto Tirando de Letra na Feira do Bosque Guarani, foi realizada oficina de confecção de bonecas Abayomi, voltada para o público infantil. “Abayomi, em língua Iorubá, significa aquilo que eu tenho de mais precioso e que dou para quem eu amo”, explica a mediadora de leitura Angélica Pereira, da associação Guatá. “As bonecas abayomi tem um histórico ligado ao tráfico de escravos; é feita de pedaços de tecidos apenas amarrados e representa várias etnias, por isso não tem rosto definido”, informa.
tl-feira-bosque-leitura-interagirLeitura e cidadania – As atividades do projeto Tirando de Letra são baseadas em trocas e mediações de informações, conhecimentos e impressões. A intenção, além de incentivar a leitura crítica e reflexiva, é partilhar diferentes interpretações da realidade e do universo literário ficcional, respeitando e valorizando as visões de mundo e a bagagem cultural de cada pessoa. Popular, democrático, o ambiente das feiras livres é terreno fértil para as leituras do mundo.

À feira com os amigos, um de El Salvador e outro do Paraguai, o estudante mineiro Daniel Lopez considera a iniciativa da associação Guatá uma forma de promover o acesso à leitura. “É importante que o livro e a leitura estejam em todos os lugares para que as pessoas possam ter acesso, preferencialmente, em atividades gratuitas. Também complementa as atividades da feira. As pessoas vêm para suas compras e levam um pouco de cultura”, destaca.

Tirando de Letra – É é um programa permanente da associação Guatá, com o objetivo de incentivar o gosto e o hábito pela leitura e a produção de textos. Com o apoio da Fundação Cultural de Foz do Iguaçu, até dezembro deste ano o projeto realizará 15 intervenções em feiras livres e eventos culturais para a comunidade. Realizado desde 2005, Tirando de Letra foi reconhecido pelo Ministério da Cultura como Ponto de Mídia Livre (2011) e como Ponto de Cultura, selecionado em edital para a realização do projeto de 2013 a 2015. Em 2016, a Guatá desenvolveu o “Epidemia de Poesia no transporte urbano”, com intervenções no Terminal de Transporte Urbano de Foz do Iguaçu.


Guatá / texto: Paulo Bogler / fotos: Áurea Cunha


Sinceridade

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  –  Um poema de Raphael Rodrigues Vilela  –

mascaras1a

Máscara vampírica de minha alma insegura e inquieta
Recuso sua proteção egoística e desgastante
Distante me sinto das coisas ao meu alcance
Pois quando delas me aproximo , hesito
E um personagem toma o meu lugar

Difícil descobrir se quem sorri
Sou eu ou a máscara
Difícil não se esconder , deixar fluir
Mostrar a cara
Deixar-se ver e se ver
É escolher despir a alma
Sem mistério pra envolver
Ou uma fingida calma

Eu
Apenas eu
Com suas forças e fraquezas
Me desprendo das certezas
Jogo a máscara
E deixo que aconteça !


Raphael Rodrigues Vilela é estudante de Medicina em Foz do Iguaçu, Pr. 


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