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Alucinação

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  – Letra de “Alucinação”, escrita por Belchior em 1976  –

 

Alucinação

Foto de Belchior quando do lançamento do disco “Alucinação”, em 1976. (reprodução de jornal)

Eu não estou interessado
Em nenhuma teoria
Em nenhuma fantasia
Nem no algo mais
Nem em tinta pro meu rosto
Ou oba oba, ou melodia
Para acompanhar bocejos
Sonhos matinais

Eu não estou interessado
Em nenhuma teoria
Nem nessas coisas do oriente
Romances astrais
A minha alucinação
É suportar o dia-a-dia
E meu delírio
É a experiência
Com coisas reais

Um preto, um pobre
Uma estudante
Uma mulher sozinha
Blue jeans e motocicletas
Pessoas cinzas normais
Garotas dentro da noite
Revólver: cheira cachorro
Os humilhados do parque
Com os seus jornais

Carneiros, mesa, trabalho
Meu corpo que cai do oitavo andar
E a solidão das pessoas
Dessas capitais
A violência da noite
O movimento do tráfego
Um rapaz delicado e alegre
Que canta e requebra
É demais!

Cravos, espinhas no rosto
Rock, Hot Dog
“Play it cool, Baby”
Doze Jovens Coloridos
Dois Policiais
Cumprindo o seu duro dever
E defendendo o seu amor
E nossa vida
Cumprindo o seu duro dever
E defendendo o seu amor
E nossa vida

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Belchior, compositor, escritor e cantor brasileiro. (1944-2017)


Música “Al este”

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  –  Neste sábado, Ciudad del Este recebe músicos  internacionais para festival de jazz  –

Neste sábado, 29, acontece o “Festival Internacional Jazz al Este 2° Edición”, no Teatro Municipal Mauro Céspedes, em Ciudad del Este, PY. Com inicio marcado para as 20 horas (horário brasileiro), o evento musical reunirá atrações do Paraguai, Brasil e Espanha. O Festival tem a produção da “Azul en verde” e conta com o apoio institucional do Fondec, fundo paraguaio para desenvolvimento da Cultura.

Na programação deste sábado, estão previstas as apresentações de Jota P Quinteto (BR), Pablo Selnik Cuarteto (ES) e Jose Villamayor Trio (PY).

O evento foi declarado de interesse cultural pela Secretaria Nacional de Cultura do Paraguai, e este ano conta com o apoio do governo da Província de Alto Paraná e da Municipalidade de Ciudad del Este. O Festival de Ciudad del Este na sua segunda edição conta com parceria da Síncopa Prducciones, responsavel pela realização do Dia Internacional del Jazz, em Assunção, capital do Paraguai.

 

Serviço:
Festival Internacional Jazz al Este 2° Edición

19h CONCERTO PRINCIPAL
Local: Teatro Municipal Mauro Céspedes (Eugenio A. Garay. Frente A La Terminal De Ómnibus De Ciudad Del Este)

22h30 JAM SESSION
Local: LiverpoolPub Cde (12 de junio c/ inmaculada concepción)

Ingressos: :
Concerto: 20.000 guaranis  – Inclui entrada para a Jam Session
Somente para a Jam Session: 15.000 gs

Mais informações, acesse: https://www.facebook.com/jazzaleste/
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Com assessoria

 


A Chipa contra a chepa

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_ Um texto de Silvio Campana  –  

Na caminhada de milhares, ontem, no centro de Foz, a solidariedade do trabalhador paraguaio.
Foi a chipa contra a chepa de Brasília. O suor contra o desmando.
 
‘Ea! E não é que um “I” em vez de um “E”, faz muita diferença? Em bom yopará, eu também me surpreenderia.
Pois, pois, então não confunda.
Chipa é um delicioso biscoito tradicional da culinária paraguaia, semelhante ao pão de queijo mineiro, porém com consistência e sabor próprio. Gosto apuradíssimo da vida na fronteira trinacional.
 
Chepa são sobras, sobejos, refugos que se vendem. Aliás, Verbete cada vez mais utilizado para explicar a politicagem e os desmandos de governos impopulares. Tem um gosto amargo de se ver a rapa do tacho nos direitos dos trabalhadores e nas gerências do dinheiro público.
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Guatá/texto: Silvio Campana foto: Paulo Bogler

Para lhe dizer de uma alegria

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  –  Apresentação da revista Escrita 46. Um texto de Silvio Campana  –

 

Capa da revista Escrita 46. Foto de Áurea Cunha. A edição reúne trabalhos de 27 autores.

Começamos a Escrita 46 com Mário Benedetti nos dizendo da “Defesa da Alegria”. Ainda mais além das mesquinharias e retrocessos do mundo. Contra elas todas, o escritor uruguaio prega que seja defendida com unhas e dentes a alegria de viver. Me parece que também quer dizer que esta seja possível para todos e não para uma minoria, dona dos privilégios.

Os tempos são duros. No mundo inteiro, a ameaça da guerra e seu conseguinte comércio assustam e fazem refém ao planeta. Enquanto os donos do tabuleiro imperial refestelam mais lucros e poder, fome e obscurantismo tomam milhões.

Como se não bastasse a insanidade que veste as relações internacionais, no Brasil a ambição e a hipocrisia sentaram à mesa com a classe dirigente. Vendilhões se aglomeram e se maquiam ocupando os postos mais nevrálgicos do País. Enquanto mudam de pele, ameaçam a frágil democracia e atacam os direitos do povo, aos acordos mais espúrios e aos golpes mais rasteiros.
Os tempos são duros, realmente. Mas o poeta já alertava para as armadilhas que se tem de transpor na luta por um estado mais autêntico do tal sorriso pleno. Não há outra saída a não ser caminhar e defender o sonho de transformar a realidade. É justo entrincheirar-se, sim, pela resistência do direito à vida ao tempo em que também se valoriza o que é mais caro nisso tudo, que é a expressão liberta.

Pois é o que tentamos mais uma vez fazer em uma edição de Escrita. Nessas poucas páginas, um mar para se navegar. Um mar feito no mosaico das expressões de muita gente, alguns inéditos na coleção da Guatá.

Poesia, muita poesia, ordena informação, memória e reflexão sobre o que estamos a construir. Fotografia, desenho, crônicas e poemas mostram o jeito de muitos amigos defenderem a alegria, afinal. O que esperamos de você, leitor, é a disposição de interpretá-los, entrincheirar sua opinião e gritar também.

Boa leitura!

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Silvio Campana é jornalista e editor da revista Escrita


Olhos da greve

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  –  Álbum de fotografias do movimento da Greve em Foz do Iguaçu. Manifestação contra reformas reúne 8 mil trabalhadores iguaçuenses. Trabalhadores protestaram contra mudanças na Previdência e na legislação trabalhista  –

 

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A greve geral nacional mobilizou milhares de trabalhadores em Foz do Iguaçu, esta sexta-feira, 28, em protesto contra as reformas da Previdência e da legislação trabalhista. As mudanças na lei são propostas do governo de Michel Temer (PMDB) e tramitam no Congresso Nacional. Cerca de 8 mil pessoas reuniram-se no Zoológico Bosque Guarani e percorrem em passeata as principais ruas do centro da cidade.

Com faixas, cartazes, bandeiras, palavras de ordem e carros de som, trabalhadores, estudantes e integrantes de movimentos sociais seguiram pela avenida Brasil, a principal via do município, passando pela avenida JK até a área próxima ao TTU (Terminal de Transporte Urbano), para o desfecho da mobilização. Durante a passagem da manifestação, os empresários fecharam as portas do comércio e de outros estabelecimentos.

O ato teve a adesão de 36 entidades sindicais e organizações sociais. Dezenas de categorias profissionais paralisaram totalmente as atividades. A mobilização conjunta reuniu servidores públicos municipais, estaduais e federais, comerciários, policiais rodoviários, bancários, eletricitários, rodoviários, profissionais do turismo, servidores dos Correios, policiais federais, engenheiros, trabalhadores rurais, coletores, garis e estudantes.

“É um dia vitorioso. A união dos trabalhadores e dos movimentos populares é um claro recado ao governo de que não aceitaremos as reformas que retiram direitos”, frisou Silvio Borges, secretário de Organização da APP-Sindicato/Foz. “Há dois anos, enfrentávamos a repressão do Governo do Estado para não perder conquistas. Por isso, hoje é um momento simbólico para nós, educadores. Mostra que os trabalhadores estão unidos e fortalecidos”, disse.

Paralisações

Com a greve geral, trabalhadores de diferentes segmentos suspenderam serviços e não compareceram aos postos de trabalho. Motoristas e cobradores de ônibus cruzaram os braços e paralisaram o transporte coletivo. Servidores da Prefeitura Municipal suspenderam o trabalho em todos os setores, como escolas, centros de educação infantil, serviços de saúde, entre outros. Cerca de 70% das escolas da rede estadual cancelaram as aulas.

Estudantes, professores, agentes universitários e técnicos da Unila, Unioeste e IFPR aderiram à greve geral, deixando as instituições de ensino sem atividades. Os protestos contaram com trabalhadores da Itaipu Binacional, Copel e Furnas, assim como, de garis e coletores que atuam nos serviços de recolhimento do lixo. Em greve por tempo indeterminado, os servidores dos Correios fortaleceram o movimento.

Organização

A greve nacional foi convocada por 9 centrais sindicais. Em Foz do Iguaçu, a mobilização foi organizada em conjunto pelos sindicatos de trabalhadores. O objetivo é impedir as mudanças na legislação trabalhista, que implicam em perda de direitos e fragilizam as futuras negociações entre patrões e empregados. A paralisação visa frear a reforma da Previdência, que prevê a elevação do tempo de contribuição e da idade para a aposentadoria, além do fim de benefícios.

Clique aqui e leia também “Braços dados, braços cruzados”

Clique aqui e leia o poema “Nossos inimigos dizem”, de Bertolt Brecht
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Texto: Assessoria APP. Fotos: Maísa Melara, Julia Malanchen, Cátia Castro e Paulo Bogler

 

 

 

 

 


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