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Palavras de Drummond

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  –  Três poemas de Carlos Drummond de Andrade  –

 

Trinta anos depois daquele agosto em que Carlos Drummond de Andrade nos deixou, trazemos três momentos da obra do poeta brasileiro. Uma obra que esteve sempre conectada ao seu tempo, cruzando o século XX em contemporaneidade com ele. “Mãos Dadas’, cuida da utopia e da existência. “Adeus a Sete Quedas”, o posicionamento político de Drummond perante a ideia de progresso do regime militar. Por último, o erotismo, em “A língua lambe”, poema publicado postumamente.

 

MÃOS DADAS

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria,
o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

 

ADEUS A SETE QUEDAS

 

A LÍNGUA LAMBE

A língua lambe as pétalas vermelhas
da rosa pluriaberta; a língua lavra
certo oculto botão, e vai tecendo
lépidas variações de leves ritmos.

E lambe, lambilonga, lambilenta,
a licorina gruta cabeluda,
e, quanto mais lambente, mais ativa,
atinge o céu do céu, entre gemidos,
entre gritos, balidos e rugidos
de leões na floresta, enfurecidos.

 

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Carlos Drummond de Andrade, poeta brasileiro (1902-1987)

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