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O jornalista da Revolução

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  –  María Seoane, articulista do jornal argentino “Página 12”, faz um breve relato sobre John Reed, autor do livro “Dez Dias que Abalaram o Mundo”, uma grande reportagem sobre a Revolução Russa, um século atrás. A tradução para o português é da Guatá. Segue o original em espanhol na sequência –

John Reed repórter militante ao tempo das grandes transformações do início do século XX. (Foto: reprodução internet)

No primeiro de janeiro de 1919, em Nova Iorque, o estadunidense John Silas Reed pôs ponto final no prólogo de seu livro “Os Dez Dias que Abalaram o Mundo”, onde conta com maestria o desenvolvimento da tomada do poder pelos bolcheviques comandados por Lenin e Trotski na agonía final da Russia Czarista. Nesse prólogo, ele definiu:

Uma das edições brasileiras do livro de Reed.

“Está na moda, depois de um ano de existência do regime soviético, falar da revolução bolchevique como de uma “aventura”. Pois bem, se é necessário falar de aventura, esta foi uma das mais maravilhosas em que se empenhou a humanidade, a que abriu às massas trabalhadoras o terreno da História e fez depender tudo, na sequência, de suas vastas e naturais aspirações (…) Assim como os historiadores se interessam por reconstruir, em seus mínimos detalhes, a história da Comuna de Paris, do mesmo modo desejarão conhecer o que sucedeu em Petrogrado em novembro de 1917, o estado de espírito do povo, a fisionomia de seus chefes, suas palavras, seus atos. Pensando neles, eu escrevi este livro.” Meio século depois, ao lê-lo, conseguido quase de maneira clandestina em uma livraria da rua Corrientes, no verão de 1967, quando brilhava a espada afiada da ditadura do general Juan Carlos Onganía, me surpreendeu sua exata narração de como o extraordinário coexistia com o cotidiano apesar dessa comoção que deixava fora de jogo do capitalismo ascendente a Rússia e seus 160 milhões de almas. Como interpretar senão sua descrição de que enquanto os guardas vermelhos tomavam de assalto o poder nos teatro e restaurantes de Moscou e Petrogrado a gente desfrutava dos espetáculos e das comidas como se essa mudança definitiva não estivera ocorrendo?

Existe maestria poética em Reed quando narra de maneira antecipatória: uma mudança política por mais revolucionária que seja não implicará de maneira instantânea em um câmbio na cultura. Nascido no seio de uma família burguesa dos Estados Unidos, em Portland (Oregon), em outubro de 1887, podia lograr esse texto tremendo sem concessões melodramáticas a seus protagonistas.

Louise Bryant, escritora anarquista, companheira de Reed na reportagem de “Os Dez Dias que Abalaram o Mundo”

Reed foi um poeta por toda a vida, integrou um grupo de escritores boêmios e radicais, socialistas, anarquistas e comunistas, no  Greenwich Village novaiorquino. Em 1912 trabalhou no “The Masses”. Compartilhou críticas ao capitalismo depredador com Upton Sinclair e, no exterior, com Bertrand Russell, Gorki e Picasso, entre outros. Considera-se que o novo tipo de linguagem jornalística em Reed nasceu em 1909, da greve têxtil, onde mulheres e crianças em Lawrence, Massachusetts, lutavam contra a exploração, e na qual foi encarcerado pela primeira vez. Doía-lhe o contraste de riqueza e pobreza em seu país. Em 1910, “Metropolitan” o enviou como correspondente ao México. Então, cavalgou junto a Pancho Villa e definiu ali os textos de seu livro “México Rebelde”. Em 1914, quando explodiu a Primeira Guerra Mundial, Reed foi perseguido por se opor ao recrutamento obrigatório.

O deprimia o patriotismo criminal de muitos de seus amigos e colegas socialistas, entre eles H. G. Wells. Reed viajou pela Europa desde Paris até Istambul e definiu o que significava o patriotismo das burguesias. Em “The Masses” escreveu:  “O verdadeiro inimigo do operário estadunidense são os dois por cento da população que possui 60 por cento da riqueza nacional”.

Em 1916 se enamorou pela escritora anarquista Louise Bryant, com quem viajou no final daquele ano para Moscou. De um cenário ao outro, sem descanso, Reed tomou notas com incrível velocidade, recopilou panfletos, cartazes e proclamações e, logo, em 1918, regressou aos EUA para escrever a história da Revolução Bolchevique. Ao chegar lhe confiscaram as anotações e o acusaram de pacifista. A condenação não prosperou. Por fim, recuperou seus apontamentos da Rússia e, durante dois meses de furiosa redação, deu à luz a “Ten Days That Shook the World”. Logo, regressou à Rússia com sua mulher e realizou dezenas de conferências como propagandista da Revolução.  Morreu de tifo. Foi velado no Templo do Trabalho em Moscou e enterrado como um herói perto do muro do kremlin, em 24 de outubro de 1920: os idos de outubro que narrou como ninguém foram seu nascimento, sua glória e sua mortalha.

Clique e assista ao filme “Reds”, inspirado na vida de John Reed

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El Periodista de la Revolución

Por María Seoane

 

El 1 de enero de 1919, en Nueva York, el estadounidense John Silas Reed puso el punto final al prólogo de su libro Diez días que estremecieron al mundo, donde cuenta con maestría el decurso de la toma del poder por los bolcheviques comandados por Lenin y Trotski en la agonía final de la Rusia zarista. En ese prólogo, él definió: “Aún está de moda, después de un año de existencia del régimen soviético, hablar de la revolución bolchevique como de una ‘aventura’. Pues bien, si es necesario hablar de aventura, esta fue una de las más maravillosas en que se ha empeñado la humanidad, la que abrió a las masas laboriosas el terreno de la historia e hizo depender todo, en adelante, de sus vastas y naturales aspiraciones (…) Así como los historiadores se interesan por reconstruir, en sus menores detalles, la historia de la Comuna de París, del mismo modo desearán conocer lo que sucedió en Petrogrado en noviembre de 1917, el estado de espíritu del pueblo, la fisonomía de sus jefes, sus palabras, sus actos. Pensando en ellos, he escrito yo este libro”. Medio siglo después, al leerlo, conseguido casi de manera clandestina en una librería de la calle Corrientes, en el verano de 1967, cuando brillaba la espada filosa de la dictadura del general Juan Carlos Onganía, me sorprendió su exacta narración de cómo lo extraordinario coexistía con lo cotidiano a pesar de esa conmoción que dejaba fuera de juego del capitalismo ascendente a Rusia y sus 160 millones de almas. ¿Cómo interpretar si no su descripción de que mientras los guardias rojos tomaban por asalto el poder en los teatros y restaurantes de Moscú y Petrogrado la gente disfrutaba de los espectáculos y las comidas como si ese cambio definitivo no estuviera ocurriendo?

Hay maestría poética en Reed cuando narra de manera anticipatoria: un cambio político por más revolucionario que sea no implicará de manera instantánea un cambio en la cultura. Nacido en el seno de una familia burguesa de los Estados Unidos, en Portland (Oregon) en octubre de 1887, podía lograr ese texto tremendo sin concesiones melodramáticas a sus protagonistas.

Reed fue un poeta toda la vida, integró un grupo de escritores bohemios y radicales, socialistas, anarquistas y comunistas, en el Greenwich Village neoyorquino. En 1912 trabajó en The Masses. Compartió críticas al capitalismo depredador con Upton Sinclair y, en el exterior, con Bertrand Russell, Gorki y Picasso, entre otros. Se considera que el nuevo tipo de escritura periodística en Reed nació en 1909 de la huelga textil donde mujeres y niños en Lawrence, Massachusetts, peleaban contra la explotación, y en la que fue encarcelado por primera vez. Le dolía el contraste de riqueza y pobreza en su país. En 1910, Metropolitan lo envió como corresponsal a México. Entonces, cabalgó junto a Pancho Villa y definió allí los textos de su libro México insurgente. En 1914, cuando estalló la Primera Guerra Mundial, Reed fue perseguido por oponerse al reclutamiento obligatorio. Lo deprimía el patriotismo criminal de muchos de sus amigos y colegas socialistas, entre ellos H. G. Wells. Reed viajó por Europa desde París hasta Estambul y definió lo que significaba el patriotismo de las burguesías. En The Masses escribió: “El verdadero enemigo del obrero estadounidense es el dos por ciento de la población que posee el 60 por ciento de la riqueza nacional”. En 1916 se enamoró de la escritora anarquista Louise Bryant, con quien viajó a fines de ese año a Moscú. De un escenario a otro, sin descanso, Reed tomó notas con increíble velocidad, recopiló panfletos, carteles y proclamaciones y, luego, en 1918, regresó a los EE.UU. para escribir la historia de la Revolución Bolchevique. Al llegar le confiscaron las notas y lo acusaron de pacifista. La condena no prosperó. Por fin recuperó sus notas de Rusia y, durante dos meses de furiosa escritura, dio a luz a Ten Days That Shook the World. Luego, regresó a Rusia con su mujer y realizó decenas de conferencias como propagandista de la Revolución. Murió de tifus. Fue velado en el Templo del Trabajo en Moscú y enterrado como un héroe cerca del muro del Kremlin, el 24 de octubre de 1920: los idus de octubre que narró como nadie fueron su nacimiento, su gloria y su mortaja.

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Texto da articulista argentina Maria Seoane, recopilado e traduzido do jornal “Pagina 12”

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