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Prefácio

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  –  Um poema de Manoel de Barros.
Uma fotografia de Yuma Martellanz  –

 

“Niñez”, foto tomada por Yuma Martellanz em Bocas de Toro, no Panamá.

 

PREFÁCIO

Assim é que elas foram feitas
(todas as coisas) —
sem nome.
Depois é que veio a harpa e a fêmea em pé.
Insetos errados de cor caíam no mar.
A voz se estendeu na direção da boca.
Caranguejos apertavam mangues.
Vendo que havia na terra
Dependimentos demais
E tarefas muitas —
Os homens começaram a roer unhas.
Ficou certo pois não
Que as moscas iriam iluminar
O silêncio das coisas anônimas.
Porém, vendo o Homem
Que as moscas não davam conta de iluminar o
Silêncio das coisas anônimas —
Passaram essa tarefa para os poetas.

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Manoel de Barros, poeta brasileiro (1916-2014).
Yuma Martellanz, fotógrafa italiana em trânsito pelo Caribe, colaboradora da revista Escrita.

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