subscribe: Posts | Comments

leader

Entranhar-me

0 comments

  –  Um poema de Carla Santos. Uma ilustração de Ariadne Pires –

 

“À Lua”, desenho de Ariadne Pires.

 

Não quero um amor colonial
Que extrai e seca o fluido vital
Quero a incitação à vida
Quero o transcendental
Dividir mais que o calor da cama
E um bom dia matinal

Não compactuo com esse amor compacto
Divididos em carpetas
Visualizados pela cordialidade
Que essa tal modernidade
Nos empurra goela abaixo

A vida encaixada
Numa caixa
Carregada nas mãos
Na vulnerabilidade do produto
Que o capital promove:
A individualidade em uma memória artificial

Posso ser uma memória de vida morta
Mas que tenha sido de vida vivida
Não de vida inventada

Viva a masturbação!
Não espero nadie para gozar
Desfruto a vida sem apatia e com apreciação
Fazer planos e mirar o horizonte
Sonorizar a imensidão
Cruzar a ponte

Ponho meu corpo no fronte
Sem temer como serei marcada
No rol de fobias
Que o sistema patriarcal cria
Pra me manter dominada

______________________________________
Carla Santos é professora do ensino fundamental em Foz do Iguaçu, Pr.
Ariadne Pires é estudante de Letras, Artes e Mediação Cultural em Foz do Iguaçu, Pr.
Poema e fotografia foram publicados na Escrita 49.

468 ad

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *