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Plantação

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–  Um poema e uma fotografia de Manatit  –

“Plantação”, foto de Manatit

 

 

Esperar a chuva como quem espera o fim da tarde
Ouvir o farfalhar das folhas do cajueiro
A agonia dos buritis com o vento cintilando
O assovio de quem se entrega por inteiro
A devida atenção às maravilhas
que dependem de nossa consciência
O galo canta, o passarinho dança, este momento.

Os desenhos que descolam das paredes.
Todos aqueles que lutaram por igualdade foram presos.
Muita água que cai que vem que vai.

Esse poema durou o dia inteiro.
Os lençóis quentes de suor.
Um fogo que nos mantém acesos.
A rede que acolhe e que balança.
A mandioca que sustenta a labuta.
A Damurida que expele pelos poros,
toda sujeira, toda tristeza, toda feiura,
destranca as vias, as veias, a voz.

(*) damurida – prato indígena, que tem entre seus ingredientes peixe e pimenta. Muito apreciado em Roraima

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Manatit é agente cultural nos arredores de Boa Vista, Roraima.
Participa do Coletivo EcoaEcoa de educomunicação e vivência. Colabora com a revista Escrita.

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