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Sensações, sentimentos, sentidos

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–  Linguagem não verbal e sentidos deram o tom da quarta oficina do Auê Literário no Colégio Gustavo Dobrandino da Silva  –

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– Leia esta imagem para o  colega que vai estar com os olhos vendados.
– Não dá para ler imagem, diz a menina.
– Será que não? Questiona a mediadora.
Este pequeno diálogo mostra como se constitui a quarta oficina do Festival Auê Literário, que desta feita aconteceu no Colégio Gustavo da Silva, no Porto Meira, em Foz do Iguaçu. A oficina trabalhou linguagens não verbais. Os estudantes puderam refletir sobre as diversas visões de mundo através de leitura de imagens, mímicas, estímulos sensoriais e um exercício do que se convencionou chamar nas atividades do Festival “uma linguagem dos sentimentos”.

Sensações –
 Para começar, estímulos sensoriais que mexem com a constituição do discurso habitual os presentes são utilizados. Som, silêncio, textura e ausência de visão ajudam a criam um outro parâmetro. Daí o diálogo do início deste artigo. Reticentes do quanto se pode contar do que se vê, os estudantes acabam por perceber que vemos mais do que parece e, invariavelmente, podemos ver através das palavras, pausas, frequência de vozes, ouvidas também. É como resume Emily W. Gonçalves,16 anos: “Gostei da dinâmica de leitura de imagens. Me coloquei no lugar das pessoas que não podem enxergar”.
Depois de algum tempo, os interlocutores encaixam um diálogo com língua acessível aos dois. E, a partir do olho poético do fotógrafo francês Henry Cartier Bresson, os estudantes vão descrevendo para o par o que veem na imagem. Denotação, minúcias, ações. O colega, às escuras, vai imaginando e recriando a cena conforme seu próprio repertório.
Esta é uma das estratégias da oficina para abordar as diversas visões de mundo e instigar as interpretações, diz Kariny Wermuth, uma das mediadoras de leitura do projeto Auê Literário da Guatá.  “A nossa proposta é também  conversar sobre expressões não verbais que nos dizem algo e que estão presentes no nosso cotidiano.
 

Kariny Wermouth, orientando a seleção de palavra para exercício de expressão corporal. (Fotos: Áurea Cunha)

E os sentimentos?  Será que tem cor? Qual é a intensidade, temperatura? Hora de escrever, de materializar o abstrato. Além da escrita, a mímica também foi escolhida para representar sentimentos.
A atividade é simples, como tudo na oficina. Depois da escolha de uma palavra, que identifique um sentimento humano, também em duplas, os estudantes vão contando um ao outro o poema que surge na cabeça a partir de perguntas derivadas daquela palavra inicial. Identificações pessoais de tal sentimento, referências externas dele (indústria cultural, leituras, cotidiano), a ideia vai se delineando. Ao final, cada um dos participantes apresenta com sua própria linguagem, escrita ou corporal, uma forma de evidenciar e demonstrar  aquilo que é essencial e humano.
Romeu Diniz Silva Jr,16, conta que a atividade o favoreceu. “Eu era tímido e ficava nervoso. A gente aprende a melhorar a comunicação e o pensamento”, diz, contando que ao final da etapa de exercícios, estava mais confiante com sua própria linguagem e forma de expressar seus referenciais de vida.

Sentidos –  “
Uma das questões que mais aparece nos diálogos é esta questão da visão de mundo das pessoas,” diz Angélica Pereira, estudante universitária e voluntária do Auê Literário.
“É importante perceber que nosso olhar segue alguns padrões e que tem algumas coisas às quais estamos atentos e outras não.  Até paramos para pensar na visão de mundo de outra pessoa. Tudo bem que a gente enxergue o mundo de forma diferente, mas, afinal, como a gente lida com isto?”, completa indicando o centro das atenções da oficina.
As dinâmicas com as imagens e a expressão do corpo traz muito à tona a questão de se respeitar a forma e o conteúdo com que o outro sente. A questão da diversidade está entre as construções que os adolescentes enfrentam no cotidiano escolar. E, sim, eles querem falar, colocar para fora suas impressões. Evelyn Giovana Pereira, 13, referenda a importância do assunto com sua percepção da oficina.  ‘Achei muito divertido. Esse negócio de visões diferentes eu gostei muito. Cada pessoa vê o mundo de forma diferente. É algo diferente (Ouvir e aprofundar-se na percepção do outro) que a gente ainda não tinha feito.”

 

Veja mais fotos no álbum do Festival Auê do Colégio Gustavo da Silva

Saiba mais do projeto de leitura e expressões “Festival Auê Literário

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Texto e fotos: Áurea Cunha, fotojornalista e oficineira do projeto Festival Auê Literário

 

 

 

 

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