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Um por todos e todos por um

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    –  Um comentário de Karina Nazario Moschkowich  –

 

Os povos originários, dizimados ao longo dos anos usavam, em sua maioria, o coletivo como processo social. Os alimentos eram produzidos e partilhados entres os pares, os espaços de convivência compartilhados por todos dividindo sentimentos, forças e interesses, trocando experiências e conquistas.
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A industrialização foi o grande marco da dissolução da coletividade. A produção em massa foi individualizando não só a mão de obra, como também as relações. O consumo de produtos desenvolveu um processo de seleção social onde a propriedade passa a ser o grande vilão das relações. Ter vale mais do que ser, inclusive juridicamente a propriedade sobrepõe a vida.
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A tecnologia fomenta um papel importante nessa história. A televisão passa a ser uma companhia solitária de grande parte das pessoas que começam a viver em espaços cada vez menores e se distanciando do coletivo para grupos de interesses cada vez mais isolados.
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A chegada da internet possibilitou ampliar horizontes e deixar as pessoas mais perto, mesmo que fisicamente estivessem em longas distancias. Porém, o individualismo é cada vez mais exaltado através do uso de aparelhos eletrônicos, fazendo com que as pessoas estivessem com muitos, mas ao mesmo tempo com ninguém.
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A escola que deveria ser uma espaço do coletivo, da solidariedade e do social usa instrumentos que decretam e normatizam o individual como ponto de partida e de chegada ao sucesso. Desde a organização física da sala de aula com carteiras individuais, até a avaliação onde os conhecimentos são mensurados através da provação individual, perpassando pela competitividade de desenvolvimento de cada um dos personagens que compõem o cenário a escola desmonta e desagrega qualquer valor ao trabalho em coletivo.
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Como é na escola que os jovens criam seus laços de amizade, os índices de suicídio entre jovens vêm crescendo assustadoramente e um dos principais fatores motivacionais tem sido a solidão e a incapacidade de envolver-se socialmente.
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Como o individualismo é um projeto social que funciona cheio de entraves, pessoas que sentem-se incomodadas com isso vêm buscando realizar ações que ampliem as possibilidades de coletivos.
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Algumas escolas chamadas alternativas  tem surgindo com novas perspectivas sobre o trabalho em grupo. Comunidades inteiras ao redor do Brasil e do mundo vêm buscando encontrar o equilíbrio de uma vida social com mais participação efetiva dos seus membros em intervenções que objetivem o comunitário.
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Outros grupos vêm se reunindo com propostas que buscam intervenções efetivas sobre o coletivo. Em Foz do Iguaçu alguns movimentos tem acontecido com essa ideia. As adesões de pessoas físicas que decidem não esperar somente ações públicas podem fazer a diferença na construção de propostas
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Motivar, principalmente o jovem, para o trabalho em equipe é uma das propostas do Auê que promove ações nas escolas de Foz do Iguaçu mediando conhecimentos e discussões, em escolas de ensino fundamental e médio,  que possam interferir significativamente no trabalho coletivo.
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Todas as atividades que possam contribuir de alguma maneira para que os olhares físicos e afetivos saiam das telas dos aparelhos eletrônicos e se se voltam para proximidade do calor das emoções reais são de extrema importância.
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Fortalecer o coletivo é fortalecer propósitos que possam perdurar e enriquecer a cada um devolvendo inspirações de novos coletivos. Quando voltarmos a sabedoria dos povos originários ganharemos uma como brinde a celebração de transformações.
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Os recursos naturais do planeta são escassos e para sanar a dificuldade que estamos encontrando sobre necessidades básicas do ser humano vamos precisar saber exercer o poder juntos somos mais fortes.
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Que venham muitas ações que possibilitem levantarmos a cabeça para enxergarmos o quão próximo podemos estar da cura do individualismo.

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Karina Nazario Moschkowich é pedagoga em Foz do Iguaçu, Pr. Participa do Festival Auê Literário como voluntária.

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