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Morreu Audálio Dantas

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  – O jornalista estava com 88 anos e construiu uma carreira marcada pela defesa dos Direitos Humanos e da cultura brasileira  – 

 

Morreu ontem, dia 30, o jornalista e escritor Audálio Dantas, aos 88 anos, em São Paulo, vítimado por câncer. Nascido no agreste alagoano, Audálio migrou para a cidade de São Paulo com seus pais, onde iniciou no jornalismo aos 17 anos.
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O repórter era conhecido por um olhar diferenciado sobre temas do cotidiano e atuação em prol da defesa de direitos durante a ditadura militar, característica que lhe rendeu, em 1981, o Prêmio de Defesa dos Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas)
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No exercício da presidência do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, à época do assassinato de Vladimir Herzog, em outubro de 1975. Audálio denunciou que Herzog havia sido torturado e morto no DOI-CODI, contrariando a versão oficial do governo, que falava em suicídio.
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No enterro de Vlado – como era conhecido o jornalista da TV Cultura – Audálio Dantas declamou a poesia “Navio Negreiro”, de Castro Alves, para as 600 pessoas presentes. “Senhor Deus dos desgraçados, Dizei-me Vós, Senhor Deus, Se é mentira, se é verdade, Tanto horror perante os céus”, dizia parte do texto.

Carolina de Jesus, Audálio e Ruth Rocha na favela do Canindé, em 1961

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Carolina de Jesus  – 
Uma das reportagens que marcaram a sua trajetória na profissão foi feita na favela do Canindé, na capital paulista. Lá, o repórter da “Folha da Manhã” (atual Folha de São Paulo) conheceu Carolina de Jesus, moradora do local que registrava um diário do seu cotidiano de fome, violência e dificuldade de crias os filhos pequenos trabalhando como catadora de papel.
A reportagem revelou Carolina, que mais tarde se tornaria best seller, publicando livros no Brasil e no exterior, entre eles o famoso “Quarto de Despejo”, de 1960, editado pelo próprio Audálio.
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Audálio Dantas trabalhou em vários órgãos da grande imprensa brasileira. Foi correspondente de guerra em Honduras pela revista Veja, editou “O Cruzeiro” e trabalhou na “Realidade”, “Quatro Rodas”, “Manchete” e “Nova”.
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Também foi escritor, e de sua obra destaca-se “As Duas Guerras de Vlado HerzoG”, pelo qual recebeu o prêmio Jabuti e o prêmio Juca Pato de Intelectual do Ano, em 2013.
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Exerceu mando de deputado federal entre os anos de 1979-1983, pelo antigo MDB.

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Fonte: FolhadeSãoPaulo

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