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Silêncio não é Paz

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  –  Um poema de Carla Santos. Uma ilustração de Natália Gavotti  –

“Straight the pose”, desenho de Natália Gavotti

 

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Não me convide para lutar na guerra
Onde as damas ganham a frente para a morte
Querem nossos corpos sangrando para a vossa paz?
Vivas nos queremos!
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Paz? Qual?
Aquela onde minha voZ
meu corpo
minha vida
minha vontade não tem valia?
.
Eu quero a guerra!
Contra o patriarcado que nos assola
Não há regalos que consola
As violações e perdas
.
Não me inclua nessa pauta
Onde serei ignota
A nossa luta é na labuta
De uma vida nova
Minha luta não está nos livros de história
Pois me tratam como a escória
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O silêncio aprisiona os corpos
Silêncio não é paz!
.
Quando queremos saber sobre o nosso corpo
Ouvimos o silêncio
Quando colocamos as mãos no nosso corpo
Nos gritam a moralidade
Quando queremos brincar
Ganhamos bonecas
Quando queremos ler um livro
Tem louça pra lavar
Quando queremos subir num pé de fruta
É coisa de moleque
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E serei eu A alimentar o silêncio?
.
A autonomia que nos ensinam é apenas pra servi-los
Ter a competência de fazer várias coisas ao mesmo tempo
E dar a isso uma explicação biológica
É estratégia do patriarcado
Pra macho ficar no ócio sem problemas
E ter quem faça o trabalho todo
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E serei eu alimentar a minha própria morte?
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Os que dizem querer a paz
São os produtores da guerra
Produzem o caos para vender a paz
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Eu quero a guerra!
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Busco o confronto
Não a acomodação à desigualdade e opressão
O comodismo é a morte!
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Grito os conflitos
Não alimento a paz PARA ALGUNS
Não silenciarei as dores e mortes
Tudo
Tudo
ouvirá o meu grito

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Carla Santos é professora da rede pública em Foz do Iguaçu, Pr.
Natália Gavotti é artista visual em Curitiba, Pr.
Poema e ilustração publicados na revista Escrita 51. 

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  1. Estou aqui aplaudindo de pé!

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