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Vagalume, tu ainda existe?

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  –  Um texto de Montezuma Cruz  –

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Houve um tempo em que as crianças brasileiras conheceram vagalumes. Eu e alguns meninos saíamos na noite escura à caça do inseto de luz esverdeada. Teodoro Sampaio ainda não tinha energia elétrica.
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Vagalume tem, tem, teu pai taqui, tua mãe também – chamávamos.
Maldade para o bichinho, exibicionismo na escola: colocávamos vagalumes em vidros e os apresentávamos aos professores e colegas. Não faria mais isso. Eles mereciam viver para encantar noites e madrugadas daquele sertão.
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A poesia de Machado de Assis:

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Bailando no ar, gemia o inquieto vagalume:
Quem me dera que eu fosse aquela loira estrela
Que arde no eterno azul como uma eterna vela!
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:
Pudesse eu copiar-te o transparente lume,
Que, da grega coluna à gótica janela,
Contemplou, suspirosa, a fonte amada e bela
Mas a Lua, fitando o Sol com azedume:
Mísera! Tivesse eu aquela enorme
Claridade imortal, que toda a luz resume!
Mas o Sol, inclinando a rútila capela:
Pesa-me esta brilhante auréola de nume…
Enfara-me esta luz e desmedida umbela…
Por que não nasci eu um simples vagalume?…

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Montezuma Cruz é jornalista em Porto Velho, RO.
Texto publicado pelo autor em dezembro de 2016. Foto: Cultura Mix.

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