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Falando de contos e poesias

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  –  Um comentário de Montezuma Cruz  –

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Cuentos Brasileños, antologia com os principais escritores nacionais, fez sucesso na Argentina, 23 nos atrás.
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Quinze narradores selecionados e apresentados por Affonso Romano de Sant’Anna representavam variadas correntes literárias que conviveram (ou se combateram) ao longo de sua história.
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Em março de 1995 sabia-se que Clarice Lispector, Rubem Fonseca e Nélida Piñon já eram lidos no país vizinho.
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No extinto jornal Ponte da Amizade, este repórter constatava: havia mais escolas provinciais ensinando o português do que os estados brasileiros aprendendo espanhol.
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Aquela antologia de contos, com 188 páginas, saiu pela editora chilena Andrés Bello. Até então, a narrativa brasileira ocupava um espaço menor nos catálogos de edição de língua espanhola, apesar da riqueza e variedade desenvolvidas até os anos 1990 do século passado.
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A publicação foi lançada no período em que não eram tão divulgados na Argentina os contistas Ivan Ângelo, Domingos Pellegrini e Lygia Fagundes Telles, por exemplo.
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“Só Jorge Amado escapou do injusto destino de ignorância a que está relegada a narrativa brasileira na América do Sul”, analisava Sérgio Olguin, do jornal Página/12, de Buenos Aires, crente numa abertura literária também no âmbito do Mercosul.
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Aos jovens: em 2007, o maranhense José Ribamar Ferreira, o notável e saudoso Ferreira Gullar, foi curador de uma exposição sobre Clarice Lispector, no Museu da Língua Portuguesa, e torná-la mais fácil de entender.
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Releu as obras da autora, destacando frases que lhe pareciam reveladoras da beleza de sua literatura e também de sua inconformação com os limites da expressão.
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“Ela deixa claro que o mistério da existência é intraduzível em palavras e, se traduzido fosse, deixaria de ser mistério”, afirmava Gullar.
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A existência de maior número de editoras, não significa mais oportunidades para jovens escritores brasileiros, ele explicava. “Principalmente no campo poético, onde faltam atenção e divulgação de jovens autores”, dizia.
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O incentivo aos jovens esbarrava na falta de uma política para a cultural geral. “Essa molecada tem que escrever e ter a sua publicação divulgada. Se vai ser bom ou ruim, só saberemos lendo”, ele alertava. Pois assim é, e me parece que a revista Escrita tem muito a ver com e exportação do que melhor se produz na literatura das Três Fronteiras e no restante do País.

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MONTEZUMA CRUZ Em 1995, o repórter trabalhava na sucursal da Folha de Londrina em Foz do Iguaçu. Texto publicado na Escrita 52.

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