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Lágrima por Waltel

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Uma crônica de Fábio Campana
Waltel Blanco, 1929-2018

Waltel Branco, um dos grandes nomes da música nacional, morreu no dia 28 de novembro, no Rio de Janeiro, aos 89 anos de idade. Entretanto, a notícia só foi divulgada hoje pela filha, com quem morava no Rio de Janeiro há pouco mais de um ano.
Waltel Branco é nome insuperável.
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É desses pra quem a gente desfila adjetivos sem capacidade de descrever o florir de sua música, lugar em que o extraordinário se torna frequente.
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Na sua arte viajamos até a outra margem da realidade, vamos parar lá na outra fronteira, um pé no inacreditável, na contemplação do infinito, nas mais profundas razões que vêm de dentro para se espalharem, transbordantes, pela vida de quem tem a sorte dos ouvidos de ouvir.

Waltel Blanco interpretando Waltel Blanco



É tarefa penosa, principalmente agora que Waltel se cansou das coisas daqui parar voar por outros lugares, pinçar grandes momentos de sua biografia. Eles são muitos e preenchem páginas imensas. Estão todos a figurar os volumes que documentam a história da música moderna – do Brasil e do estrangeiro.
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É tarefa penosa, principalmente agora que Waltel se cansou das coisas daqui parar voar por outros lugares, pinçar grandes momentos de sua biografia. Eles são muitos e preenchem páginas imensas. Estão todos a figurar os volumes que documentam a história da música moderna – do Brasil e do estrangeiro.
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Por aqui gostamos de afirmar sua condição de paranaense; ilusão ufanista, Waltel era um homem do mundo.
E para falar bem a verdade, o estado foi um tanto mesquinho com ele, como vez ou outra faz com grandes nomes, mas na colheita gosta de estufar o peito e chama-lo de seu. Waltel, ainda bem, superou a geografia.
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Teve o ponto de partida em Paranaguá, mas compôs quilometragem abundante em suas andanças pelo mapa: Bossa Nova, Jazz, Choro, boa parte no Popular e boa parte no Erudito.
E tudo isso misturado a passeios pela XV, papos furados no Maneko’s, conversas nos bares, sempre com um sorriso no rosto e a fala mansa para boa conversa deste e de outros tempos.
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As cordas do maestro, do arranjador, do compositor e do instrumentista saem do final do arco-íris e se colocam, tesouro à nossa disposição e desfrute, nos discos dele e de outros.
É fácil encontrar Waltel: de Cazuza a Henry Macini, de Tim Maia a João Gilberto, de Alceu Valença a Odair José, ele está presente. Mas é preciso transcendência para entendê-la.”

“Juan Cabeza de Vaca”, música composta por Waltel Blanco, interpretada por  Murillo Da Rós

Quem era Waltel

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Nascido em 22 de Novembro de 1929, em Paranaguá, litoral do Paraná, Waltel teve o primeiro contato com a música junto com a religião. Seus estudos musicais se consolidaram no período em que esteve no seminário, com o chileno Joquín Zamacois. Entre seus mestres da época, nomes como Bento Mossurunga, padre José Penalva, Jorge Koshag, Stanley Wilson e Alceo Bocchino. Em 1949 se mudou para Curitiba com seu irmão, mesmo ano em que foi par ao Rio de Janeiro e em seguida para Cuba, onde aprofundou seus conhecimentos musicais.

É considerado um pioneiro na criação de estilos musicais, como o jazz fusion. Morou também nos Estados Unidos, teve atuação decisiva na criação da Bossa Nova, fez parcerias com músico como João Gilberto, um dos percursores do gênero. Morou também na Europa e Asia, e especializou-se em trilhas sonoras. Trabalhou com Nat King Cole e outros nomes importantes dos Estados Unidos. Conheceu o maestro Henry Mancini e foi um dos compositores/arranjadores da icônica trilha sonora da Pantera Cor-de-Rosa.

Ao todo compôs mais de 4000 composições, arranjos e colaborações. Tocou com os maiores nomes do Brasil, como Dorival Caymmi, Nana Caymmi, João Gilberto, fez arranjos para Roberto Carlos, Cazuza, Tim Maia, Djavan, Cartola, Gal Costa,Maria Creuza, Vanuza, Mercedes Sosa, Astor Piazzola, Zé Keti, Peri Ribeiro, Sérgio Ricardo e Tom Jobim. (Tribuna)

Texto extraído do blog Fábio Campana.
Fonte do box: Tribuna

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