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Ah, as primícias

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Um poema de Mário Benedetti

Mário Benedetti, fotografado por Eduardo Longoni

Ah, as primícias / como envelheceram
como o azar se converteu em castigo
como o futuro se esvaziou de pobres
como os prêmios colheram prêmios
como desamoraram os amores
como a façanha terminou em suspeita
e os oráculos emudeceram

tudo afunda na névoa do esquecimento
porém quando essa névoa se dissipa
o esquecimento está cheio de memória
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Ah las primicias

Ah las primicias / cómo envejecieron
cómo el azar se convirtió en castigo
cómo el futuro se vació de humildes
cómo los premios cosecharon premios
cómo desamoraron los amores
cómo la hazaña terminó en sospecha
e los oráculos enmudecieron

todo se hunde en la niebla del olvido
pero cuando la niebla se despeja

el olvido está lleno de memoria

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Mario Benedetti, poeta uruguaio (1920-2009)
Extraído de Prosa&Arte [tradução Dalila Teles Veras].



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