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Mulheres e meninas na ciência

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A ciência e a igualdade de gênero são ambos vitais para o desenvolvimento sustentável. No entanto, mulheres e meninas continuam a ser excluídas da participação integral na ciência: menos de 30% dos pesquisadores no mundo são mulheres.
“O vazamento no cano”: parcela de mulheres no ensino superior e na pesquisa em 2013. Figura retirada e modificada de relatório científico da UNESCO. (Imagem: blog cientistas feministas)

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O Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência, celebrado a cada ano em 11 de fevereiro, é liderado pela UNESCO e pela ONU Mulheres em colaboração com instituições e parceiros da sociedade civil em vários países.

A data foi aprovada pela Assembleia das Nações Unidas em 2015 para promover o acesso integral e igualitário da participação de mulheres e meninas na ciência. Esse dia é um lembrete de que as mulheres e as meninas desempenham um papel fundamental nas comunidades da ciência e tecnologia e que a sua participação deve ser fortalecida.

Nos próximos 15 anos, a pesquisa científica vai desempenhar um papel fundamental no monitoramento de tendências relevantes em áreas como segurança alimentar, saúde, água e saneamento, energia, gerenciamento de ecossistemas oceânicos e terrestres e mudança climática. As mulheres vão desempenhar um papel essencial na implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ao ajudar a identificar problemas globais e encontrar soluções.

Apesar dos ganhos notáveis que as mulheres conquistaram na educação e na força de trabalho nas últimas décadas, o progresso foi desigual. De acordo com O Instituto de Estatísticas da UNESCO (UIS), apenas 28% dos pesquisadores do mundo são mulheres. As mulheres continuam sub-representadas nos campos da ciência, tecnologia, engenharia e matemáticas (STEM), tanto no âmbito da graduação quanto no âmbito das pesquisas. Mesmo nos campos científicos onde as mulheres estão presentes, elas são sub-representadas nas decisões políticas e na programação.

Quanto mais alto na escala dentro do sistema de pesquisa cientifica nota-se uma queda na participação feminina até que, nos mais altos níveis da pesquisa cientifica e nas tomadas de decisão, existem bem poucas mulheres atuando. A ciência continua como um dos poucos setores onde a discriminação de gênero é comum e considerada aceitável por alguns. O número de mulheres que foram reconhecidas como líderes por sociedades de alto prestígio ou por meio de premiação permanece baixo, apesar de algumas exceções de personalidades de expressão. A falta de reconhecimento das conquistas das mulheres contribui para o equívoco de que as mulheres não podem atuar na ciência ou, pelo menos, não tão bem como os homens.

Lidar com alguns dos maiores desafios da Agenda para Desenvolvimento Sustentável – da melhoria do sistema de saúde ao combate da mudança climática – dependerá do aproveitamento de todos os talentos. Isso significa fazer com que mais mulheres trabalhem nesses campos. A diversidade na pesquisa expande o grupo de pesquisadores talentosos, trazendo nova perspectiva, talento e criatividade.

Isso requer uma mudança de atitudes e o desafio de estereótipos: meninas precisam acreditar nelas mesmas como cientistas, exploradoras, inovadoras, engenheiras e inventoras.

Leia 10 histórias de cientistas brasileiras em “Mulher faz ciência”

Na Guatemala, Martha Alicia Benavente participou de uma capacitação para se tornar engenheira solar. Foto: ONU Mulheres/Ryan Brown

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América Latina e Caribe

Dados de 2017 mostravam que 45% das mulheres cientistas estavam trabalhando ativamente na área. Apesar deste número estar acima da média mundial, nos últimos 10 anos, as mulheres têm perdido espaço nesta região do globo. Ainda é comum observar práticas institucionais que desvalorizam as mulheres e um modelo social no qual espera-se das cientistas tempo integral de dedicação à pesquisa e tempo superior do que o dos homens com cuidados domésticos.
Ainda nesta região, as mulheres têm relativa participação em algumas áreas como saúde, agricultura e gerenciamento do meio ambiente, porém, são excluídas dos momentos de decisões, de monitoramento e de implementação de resultados. O mais assustador é observar que as mulheres ainda são minoria na elaboração de políticas públicas, inclusive quando as leis são relacionadas aos seus direitos e em relação ao próprio corpo.

Mulheres e meninas continuam extremamente sub-representadas nas ciências exatas. Foto: ONU Mulheres Vietnã

Soluções e paliativos – Voltando para o âmbito mundial da ciência e engenharia, observa-se que as mulheres frequentemente deixam os seus trabalhos por razões familiares e trocam de carreira mais do que os homens. Ainda se faz necessário encontrar soluções para muitas discrepâncias que obrigam as mulheres a abandonar a ciência.

O blog “Cientistas Feministas” elenca algumas propostas, baseadas na iniciativa da Unesco. Segundo o blog, “a UNESCO encoraja os governos, instituições de pesquisa e empregadores a:

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implementar políticas que promovam o acesso de mulheres ao trabalho, à pesquisa e à ciência, além de garantir que a educação seja acessível e de qualidade;
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garantir a representação igualitária entre mulheres e homens na pesquisa científica, nas tomadas de decisão e na elaboração de políticas públicas;
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empoderar mulheres (e garotas) para que se sintam confiantes a expor abertamente suas ideias;
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adotar critérios transparentes e igualitários em processos seletivos, promovendo a diversidade e o respeito aos diferentes grupos dentro dos ambientes de trabalho;
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financiar treinamentos em empreendedorismo e impulsionar mulheres a conquistar novos desafios.
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Finaliza comentando documentos da Unesco que indicam que “a igualdade de gêneros garante mais do que justiça entre mulheres e homens, ela garante um futuro mais rico e sustentável para o planeta. Governos, instituições de pesquisa e empresas têm muito a ganhar com ambientes onde a diversidade de gênero prevalece, pois pessoas com experiências de vida diferentes apresentam diferentes perspectivas e são capazes de criar soluções mais eficientes para os problemas atuais.”

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Guatá / Onu Mulheres/blog Cientistas Feministas

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