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Coletivo retoma ação pela leitura e também leva a revista Escrita para calçadas paulistanas.

Foi no bairro Colônia Paulista, na região de Parelheiros, periferia de São Paulo. Domingo, tarde de verão, 24 de fevereiro de 2019. Uma mesa modesta, uma tenda para aplacar o sol, banquinhos. Algumas caixas usadas em feira para transportar legumes. Caixas sem legumes e com livros.
Aliás, caixas e mais caixas de livros e revistas. Autores e seus escritos pulando feito pipoca para a mão dos transeuntes.

Cada pessoa, um livro. Perante a necessidade de um segundo volume, no máximo uma troca. Então, na iminência de que aqueles exemplares ganhassem asas sem serem comprados, a reflexão. Seria o caso da pergunta de quanto vale um livro? Ou a pergunta essencial continuaria sendo, no final das contas, para que serve mesmo um livro?

E foi assim, das 14 às 19 horas, a sensibilidade e o conhecimento à disposição da leitura. De um jeito simples – sem burocracia – de compartilhar conhecimento e literatura. No final da jornada, uns 60 livros e outro tanto de revistas doados. Dezenas de empréstimos, escolhas, págtinas folheadas, rostos surpresos com as histórias, rodas de conversa, promessas de retorno. Afinal, o que vale é circular para o Circuler:

. “Você quer levar? Leva.”

. Você quer apenas folhear e ler um pouco? Pegue, folheie, experimente.”

. “Você trouxe livros para compartilhar? Ótimo.”
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RETORNO – Pois é, os livros e seus agentes estão de volta às ruas depois de dois anos de uma breve pausa para estudos, viagens e outras leituras de seus participantes. Programa criado por um coletivo de pessoas com interesses em ações comunitárias em 2013, o Circuler já chegou a distribuir mais de 300 livros em uma só tarde, conta orgulhoso o estudante de geografia Pedro Gil Silva.

“Deu-se um tempo, mas agora está de volta, no último domingo de cada mês. Nossa abrangência é o distrito de Parelheiros, região de onde somos originários e para quem priorizamos nossas ações”, conta um dos mais novos participantes do Coletivo Circuler.

Aceita-se leitores, livros, doações, empréstimos. A lógica que prevalece é a de que todo mundo tem direito a ler. (Fotos: P.Gil)

Pedro é ilustrador, grafiteiro e gosta de escrever. Seu contato com o Circuler começou faz tempo, ainda como leitor nos primórdios do projeto. Sua iniciativa como integrante do Coletivo, é bem mais recente. Ele explica que amadureceu a ideia de colaborar com o projeto por vê-lo, acima de tudo, como ação que nasceu e foi legitimada pela comunidade, de forma cooperada, sem hierarquizações.

Já com a Guatá o encontro se deu através do programa Tirando de Letra, em Foz do Iguaçu. O jovem paulistano é estudante da Unila, na fronteira trinacional e colaborou com a revista Escrita no ano que passou. Ao sair de férias, não teve dúvidas. Carregou junto com sua vontade de somar finalmente no “Circuler”, muitos exemplares da revista colaborativa da Guatá para mostrá-la aos paulistas.

“A Escrita fez sucesso na nossa banca principalmente pela diversidade de autores e temas”, conta ele. Entre as ilustrações e textos da revista, aliás, estão trabalhos de outros paulistanos amigos da Circuler, assim como o próprio Pedro. Clique e conheça a crônica “Povão F.C.”

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Clique aqui e veja mais da “A Escrita viaja…”

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DOAÇÕES, BEM-VINDAS – O Circuler é, assim como muitas das ações comunitárias realizadas nesse País, feito na raça de gente que se junta a partir de sonhos. Distribuir e disponibilizar livros e leitura é algo que ajuda a romper com a regra de que ler e possuir livros é assunto das classes dominantes. Tal esforço, porém, exige solidariedade. Não é à toa que doações são sempre bem-vindas, como explica Pedro.

“Apesar de nossa ação ser ainda pequena, precisamos sempre recompor nosso estoque de livros. Estamos aí para doações e contatos que somem nesta trajetória. Os interessados podem saber mais de nosso trabalho através do facebook: https://www.facebook.com/projetocirculer/ e pelo perfil do Instagram @projetocirculer . Nosso e-mail é contatocirculer@gmail.com ‘.

Postagem do movimento Circuler, de Parelheiros, São Paulo, capital.

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Guatá / Silvio Campana

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  1. Cynthia Lopes says:

    Há tantas iniciativas legais pelo país! Bibliotecas que seguem em bicicletas ou pontos de ônibus, poetas que deixam poemas em árvores. O Museu da Maré, feito de objetos significativos para a comunidade local ou o Museu criado pelo menino de 10 anos, em homenagem a Luís Gonzaga no Crato, CE. Iniciativas que mobilizam comunidades, culturas locais, mostram que o engenho humano sobra. Que persistimos em curiosidade e que estamos atentos as pequenas coisas e sensíveis, a tudo o que nos humaniza. Que bom, porque parecia que estava sobrando apenas o que nos brutalizava. Então estes detalhes insignificantes, para alguns, me renovam a esperança nesse nosso povo. Quem sabe, não é mesmo, quem sabe!

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