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Quarto de despejo

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Fragmentos literários de Carolina de Jesus

Carolina de Jesus à beira do rio Tietê, na favela Canindé (1960). Foto: Adálio Dantas

“Não digam que fui rebotalho,
que vivi à margem da vida.
Digam que eu procurava trabalho,
mas fui sempre preterida.
Digam ao povo brasileiro
que meu sonho era ser escritora,
mas eu não tinha dinheiro
para pagar uma editora.”

*****

“A vida é igual um livro. Só depois de ter lido é que sabemos o que encerra. E nós quando estamos no fim da vida é que sabemos como a nossa vida decorreu. A minha, até aqui, tem sido preta. Preta é a minha pele. Preto é o lugar onde eu moro.”

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Carolina Maria de Jesus, escritora brasileira (1914-1977). Textos extraído do livro “Quarto de despejo”, de 1960. Nele a temática da autora é autobiográfica, discorrendo sobre sua existência na condição de mulher negra e trabalhadora pobre, vivendo em favela paulistana.

Audálio Dantas, jornalista paulista (1929-2018).

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  1. Lisete Barbosa says:

    Esse livro é denúncia da miséria das favelas no Brasil, que de alguma forma é escondida e todo mundo acha normal . Ela coloca toda hostilidade da favela, a miséria generalizada, não existe privacidade e a violência sofrida em todos os sentidos. Ela escreve sobre medo cotidiano de perder os filhos,relatos de mortes todos os dias , as brigas constantes e a presença constante da polícia.( os relatos de Carolina são tão atuais)

    Lastimável e de uma sensibilidade incrivel!

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