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Do subúrbio, aos bares badalados

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– Um artigo de Ronildo Pimentel (*) –

Integrantes das bandas e público comemoram mais uma noite
(Acervo: Espiritual -Official Profile – Alvaro Aggression)
Da marginalização, bandas de metal e punk rock se renovaram, mantendo a ideologia autoral quase 40 anos após.

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Do subúrbio para os palcos dos bares badalados de Foz do Iguaçu. A introdução, bem que poderia descrever uma das estrelas meteóricas que surgem hoje em dia nas páginas da internet. Mas não é!

Essa história vai trazer à tona um pouco da galera da contra-cultura de Foz do Iguaçu.

Nos primórdios do nosso conto, nos distantes anos de 1980, as notícias chegavam com atraso na região da Tríplice Fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina. Para quem estava em busca das tendências da cultura, a espera era ainda mais longa. Mas chegavam!

O primeiro Rock in Rio abriu muitas portas. Na esteira do mega-festival, vieram os regionais, forçando rupturas. Em Foz do Iguaçu o Rock Foz deu uma nova perspectiva
para quem sonhava em montar uma banda e sair por aí. Era possível!

Dois anos se passaram até aquele que ficou conhecido como o primeiro festival underground de Foz do Iguaçu. Entre as atrações a, paulista Vulcano e a curitibana Epidemic, bandas já conhecidas no Brasil e exterior.

O palco, uma escola do Jardim São Paulo, na região do Bairro Morumbi.

A partir dali, bandas de metal e suas tendências heavy, death e thrash, hard rock, punk rock, hardcore, grind core pipocaram nos bairros. Sem espaço na mídia tradicional (rádio e TV), vistos com desconfiança pela sociedade (beirando a marginalização), com dificuldades para ensaiar e sem equipamentos para apresentações ao vivo.

A solução possível foi a união das bandas principalmente dos integrantes das bandas e amigos, os famosos “roadies”, que acabam garantindo a entrada nos festivais, graças a esta proximidade. Sem muitos recursos, o subúrbio se constituiu a principal trincheira desta vertente cultural.

Não era raro ver bandas inteiras dentro de ônibus de transporte coletivo, cruzando de bairro a outro a Foz do Iguaçu, carregando instrumentos, peças de bateria e os famosos cubos de som, fundamentais para os ensaios e os shows. O São Francisco (hoje Morumbi), Porto Meira, Vila C e AKLP eram os redutos desta turma.

De lá para cá já se passaram mais de 30 anos e aquele espírito de compor músicas, ou apresentar cover do grupo favorito, não morreu. O que mudou, e para melhor, foi a estrutura disponível. Muitas das bandas que começaram nos primórdios, em locais como o Bambu Pizza Bar, hoje sobem aos palcos de bares badalados de Foz do Iguaçu.

A cultura do faça você mesmo sobreviveu aos percalços e, depois de tantas décadas se renovou, deu razão a existência de um público fiel e, com o tempo, novos e bem preparados espaços foram surgindo em Foz do Iguaçu.

Longa vida ao rock n rol!

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(*) Ronildo Pimentel é jornalista, músico underground e ativista cultural em Foz do Iguaçu.

Editor do CabezaNews

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