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A lenda e a luta

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Junho de 2016: morria a lenda do boxe Muhammad Ali. Ele também ficou marcado na história pela sua repulsa à Guerra do Vietnã.

“Não me escondo do recrutamento. Não queimo bandeiras. Não fujo para o Canadá. Fico aqui. Querem me mandar para a cadeia? Façam. Tenho estado no cárcere durante 400 anos. Posso ficar mais quatro ou cinco, mas não vou aceitar ir a 10 mil milhas para ajudar a assassinar e matar outros pobres. Se preferir morrer, morrerei aqui, agora, lutando contra ti, se quero morrer. Você é meu inimigo, não os chineses, os vietcongues, não os japoneses. Você é quem se opõem a mim quando quero liberdade. Você é quem se opõem a mim quando quero justiça. Você é quem se opõem a mim quando quero igualdade. Quer que eu vá algum lugar e que lute por ti? Nem sequer aqui na América defende meu direito e minhas crenças. Nem sequer me defende aqui em casa.” (Muhammad Ali, falando sobre sua recusa a se alistar no exército dos EUA e combater no Vietnã)

Em 3 de junho de 2016, morreu Muhammad Ali, três vezes campeão mundial dos pesos-pesados e considerado um dos maiores boxeadores de todos os tempos. Por mais de três décadas, ele lutou contra a doença de Parkinson.O esportista americano Muhammad Ali, considerado um dos maiores boxeadores da história, morreu no dia 3 de junho de 2016 num hospital em Phoenix, Arizona, aos 74 anos de idade. Ali, que sofria de mal de Parkinson há décadas, havia sido internado por complicações respiratórias.

“Depois de um combate de 32 anos contra a doença de Parkinson, Muhammad Ali faleceu aos 74 anos de idade”, anunciou o porta-voz da famí Bob Gunnell. “O tricampeão mundial dos pesos-pesados morreu esta noite.” Ele vivia nas proximidades de Phoenix com sua quarta mulher, Lonnie, com quem se casou em 1986, e deixou sete filhas e dois filhos. Ali foi diagnosticado com mal de Parkinson três anos após se aposentar, no fim de 1981. Os médicos associam a doença aos muitos socos que ele recebeu na cabeça durante a notória carreira de três décadas. Sua condição se deteriorou rapidamente nos anos seguintes. Ele começou a ter dificuldade para falar e passou a sofrer disfunções motoras graves.

Nos últimos anos de vida, Ali foi hospitalizado diversas vezes. Em 2014, foi tratado de uma leve de pneumonia e, em 2015, foi internado devido a uma infecção urinária.

Mesmo com suas limitações físicas, o esportista não deixou de fazer aparições públicas, para arrecadar fundos para organizações de caridade no Arizona. Em dezembro de 2015 ainda emitira um comunicado repreendendo o então pré-candidato à presidência dos Estados Unidos Donald Trump por suas declarações a favor da proibição da entrada de muçulmanos no país.

Contra a guerra imperialista

Após ter se recusado a entrar para o serviço militar, em 1967 Ali perdeu não só sua licença de boxeador como também foi condenado a cinco anos de prisão, sendo solto sob fiança. Depois disso, não perdia oportunidade para protestar publicamente contra a Guerra do Vietnã.

Artistas e intelectuais, como os astros de Hollywood Richard Burton e Henry Fonda e o escritor Truman Capote, engajaram-se pessoalmente para garantir que Ali recebesse permissão para voltar aos ringues. A pausa forçada durou três anos.

“O maior”

Cassius Marcellus Clay Jr, nasceu em 17 de janeiro de 1942. Os treinos de boxe surgiram como uma tentativa de se vingar do roubo de sua bicicleta, aos 12 anos. Segundo seu descobridor, Joe Martin, o menino veio chorando para seus braços, jurando que daria uma surra no ladrão.

O treinador de boxe acolheu o jovem Cassius, garoto negro e de família pobre, entre seus protegidos. “Ele foi o mais dedicado de todos os garotos que eu já treinei”, lembra. Embora o seu soco ainda não tivesse pegada, o menino já era extremamente ágil e rápido com as pernas. Em 1960, aos 18 anos, sagrou-se campeão olímpico da categoria meio-pesado em Roma.

Extremamente talentoso, era tido como arrogante e falastrão. Antes de suas lutas, Clay se autodefinia como o “maior e mais bonito lutador de boxe de todos os tempos” e provocava os oponentes.

Em sua primeira luta por um cinturão de campeão mundial, em fevereiro de 1964, contra o então campeão Sonny Liston, Clay era tido como a zebra. Mas depois de seis assaltos, Liston jogou a toalha. “Eu sou o maior”, rugiu o novo campeão mundial no microfone.

Nesse mesmo ano, o pugilista entrou para a organização Nation of Islam, do ativista negro dos direitos civis Malcolm X. Ele abandonou o nome Cassius Clay e passando a chamar-se Muhammad Ali.

A borboleta e a abelha

Depois de duas lutas preparatórias, Muhammad Ali subiu em 1971 ao ringue do Madison Square Garden, em Nova York, para a “Luta do Século” contra o então campeão mundial Joe Frazier, da qual saiu derrotado.

Seguiram-se outras lutas que entraram para a história do boxe. “Rumble in the Jungle” (luta na selva) foi uma delas: em 1974 Ali desafiou na atual República Democrática do Congo o pugilista George Foreman, campeão mundial invicto até então, que tinha ganhado a maioria de suas lutas por nocaute.

Seu adversário o enfrentou lançando mão do chamado “Ali shuffle”, passo em que o pugilista dançava no ringue. “Flutue como uma borboleta, pique como uma abelha”: assim Ali descrevia seu estilo.

A façanha foi repetida em 1978, quando se tornou campeão do mundo pela terceira vez, com uma vitória contra Leon Spinks. Perdeu para o compatriota Larry Holmes em outubro de 1981 e, dois meses depois, uma derrota contra Trevor Berbick seria seu último combate.

Depois de uma carreira que se estendeu por mais de 30 anos, de 1960 a 1981, 56 vitórias em 61 combates, incluindo 22 em campeonatos mundiais, Muhammad Ali se despediu dos ringues.

Na abertura dos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, quando acendeu a pira olímpica com a mão trêmula, seu destino tocou o mundo. Ele recebeu honrarias de todos os tipos. Em 1999, o Comitê Olímpico Internacional nomeou Ali Atleta do Século. Ele recebeu, ainda, a mais alta distinção atribuída a um civil nos Estados Unidos: a presidencial Medalha da Liberdade, em 2005.

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