CRÔNICA
Esperança, no peru, candidato e cia
(*)Wemerson Augusto
As ruas anunciavam o final do ano. As fachadas comerciais não deixavam Valfrido e sua esposa esquecer o período de comer peru e fazer compras. Mesmo com o bolso não colaborando, o casal fez um esforço, comprou um peru e alguns presentes.
Feitas as aquisições que o casal considera ser de extrema importância nesta época, os dois retornaram a casa, sorridentes como palhaços que estréiam juntos com o circo o primeiro espetáculo na cidade.
Com pressa, Valfrido joga sobre a mesa os comprovantes das 8 parcelas da conta realizada. Abre o armário da cozinha com certa agilidade a procura dos copos especiais para degustar da espumante filtrada adquirida na promoção. Os copos de extratos de tomate não poderiam participar daquele momento inigualável.
Valfrido pede a Genilda que limpe os dois copos fininhos. Enquanto a esposa prepara os cálices que o marido se referia, Valfrido diz: “muié, ano que vem tudo vai ser diferente”.
O marido estava crente que este ano seria mesmo ímpar. Em sua cabeça estava certo que o dinheiro iria aparecer, um novo emprego, nova vida, enfim, tudo conforme os comerciais e a fala popular.
A empolgação era tanta, que o ventilador despachou para o quintal os comprovantes da compra e a lembrança do compromisso com a loja. Muitos fogos e gargalhadas ilustraram a última semana do ano do casal.
O momento tão esperado chegou. Os planos de Valfrido e Genilda ainda não se concretizaram. Talvez não seja o período correto. Por ora, somente a dívida de 3 parcelas e a presença do nome do visionário no sistema de proteção ao crédito.
Na residência, alguns vestígios ainda estão presentes, principalmente, do lado de fora, onde as sujas garrafas de champagnes disputam com o capim o território. Agora, sem ânimo e dinheiro para pagar o corte da grama e as ilusões de felicidade, o casal se agarra em uma nova promessa.
Desta vez, é o meio de ano que promete. Um colega da família irá contratar todos da família trabalhar, inclusive, conhecidos e desconhecidos do casal. A missão dos contratados será simples, terão que entregar umas folhinhas com a fotografia e número dos candidatos que disputam a eleição.
“Muié, se nois elege o homi, vai te emprego pra quatro anos”. Talvez seja este o motivo da retomada da alegria e esperança na casa.
(*) Wermerson Augusto é jornalista em Foz do iguaçu, Paraná. Editor do site megafone.inf.br e do blog www.cearanews.blogspot.com
Leia outro texto de Wemerson Augusto, publicado no site Guatá.
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