(*)José Afonso de Oliveira
De pequena cidade, pelos idos da década de 50, do século passado para uma das cinco maiores cidades paranaenses, na atualidade.
Nascemos, no final do século XIX completamente esquecida nesta Tríplice Fronteira, mal delineada, escondida totalmente do Brasil.
Vivemos, longo tempo, esquecida no que se denominava de “Sertões Paraenses” na feliz expressão do nosso historiador maior, Rocha Pombo.
Entramos de cara para a modernidade. Enfrentamos o desafio único de modificarmos um curso de um grande rio, construindo a maior hidrelétrica do mundo. Saltamos assim do desconhecido para o centro do mundo tecnológico, desenvolvido, sofisticado.
Assim de bucólicos passeios, piqueniques no Parque Nacional, temos agora todo um aparato sofisticado para o atendimento de turistas, de todas as partes do mundo, que, continuamente, nos visitam.
Somos hoje um cenário único no mundo. Além da Tríplice Fronteira, temos uma belíssima reserva florestal, o Parque Nacional do Iguaçu que entra em território dos nossos vizinhos argentinos que aí também resolveram preservar a natureza. Assim constituímos uma reserva única no mundo, pois que binacional.
De outra forma temos a maior e mais sofisticada obra de engenharia civil – a maior e mais importante do século passado – base da maior e mais moderna tecnologia de geração de energia do planeta. A Itaipu ostenta o título de sua binacionalidade, única no gênero em todo o mundo, no momento em que foi constituída.
Tudo isso gerou um amálgama de povos e culturas que, buscando no mundo atual globalizado, não conseguimos vislumbrar nada que seja parecido.
Disso resulta a constituição de um novo linguajar, o “portunhol” que veio para ficar. Resulta disso a existência de grande aproximação de nossas cidades fronteiriças, no Paraguai Ciudad del Este e na Argentina, Puerto Iguazu. Abraçando as três cidades que tem um eixo central na nossa Foz do Iguaçu, uma linha de transportes urbanos que ganha a dimensão de ser transfronteiriça. Onde encontrar isso no mundo?
Somos hoje a porta de entrada do Mercosul, ligando os três países quer com a Ponte da Amizade entre o Brasil e o Paraguai, sobre o rio Paraná ou então a Ponte Tancredo Neves, para muitos Ponte da Fraternidade, ligando Brasil à Argentina, por cima do rio Iguaçu.
Aqui se cria agora a UNILA – Universidade Federal da Integração Latino Americana, obra essa que deve nascer grande para um futuro maior ainda. Seremos um centro referencial para toda a América Latina, ultrapassando assim os limites do Mercosul.
Mas vamos observar com melhores e maiores visões. Interligamos hoje Córdoba-São Paulo, no eixo Buenos Aires-São Paulo-Rio de Janeiro e também Assunção-São Paulo, Montevideo-São Paulo. É uma imensa e próspera região, sendo um dos grandes pontos de comércio internacional, envolvendo algo em torno de 2 milhões e 700 mil habitantes.
Ainda para futuro que está sendo já presente a ligação ferroviária do Porto de Paranaguá, localizado no Oceano Atlântico ao Porto de Antofagasta, em território chileno, no Oceano Pacífico.
Ligar esses dois oceanos é obra de grande envergadura e necessidade no momento em que o eixo econômico do mundo passa do Atlântico para o Pacífico.
Por isso tudo e, certamente, muito mais, morar em Foz do Iguaçu constitui-se hoje em imenso prazer e privilégio de poucos. Foz do Iguaçu é a casa mãe de todos nós que para aqui viemos, por este ou aquele motivo.
(*)José Afonso de Oliveira é professor universitário em Foz do Iguaçu. |