(*)José Afonso de Oliveira
E pensar que nascemos em pleno início da Primeira Guerra Mundial. Seria o nosso destino estarmos sempre em evidência mundial? O tempo se encarregará de afirmar ou não isso que estamos agora colocando.
De qualquer forma, ao término dessa guerra que inicia o mundo contemporâneo que será, no dizer de Eric Hobsbawn curto, estaremos destruindo toda a nossa mata ciliar das barrancas do rio Paraná para fornecimento de madeira de primeira qualidade na reconstrução dos países europeus.
Isso possibilita o início do povoamento dessa região, origem da cidade de Foz do Iguaçu. Evidente que a destruição ambiental será praticamente total, feita com extrema rapidez, dando lugar agora ao desenvolvimento de uma pequena agricultura de fixação do homem à terra.
Portando nos primórdios de nossa existência, enquanto cidade, estaremos tendo sempre uma relação de proximidade com o meio ambiente marcando Foz do Iguaçu, até os dias atuais, cidade sede do Parque Nacional do Iguaçu.
O nosso povoamento, proveniente de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, também marca a nossa existência, no sentido de termos uma miscigenação étnica muito significativa, podendo agora ser devidamente identificada desde os primeiros momentos de nossa existência, enquanto cidade.
Mas temos que pensar que a nossa atividade principal estava ligada ao uso da terra, na constituição de uma pequena agricultura de caráter familiar. Isso propiciava a geração de pequeno excedente que passava a ser utilizado no comércio.
Comércio este realizado com os países vizinhos, utilizando o rio Paraná como canal de escoamento de tudo o que produzíamos. Assim estávamos muito mais voltados para fora do que para dentro do Brasil, onde o nosso interior era denominado como sendo “os sertões paranaenses” em obra de nosso historiador maior, Rocha Pombo.
Viveremos, por muitos anos ainda, um total isolamento em relação ao Brasil, marcando assim a nossa existência inicial como um pequeno agrupamento de povoamento, nas fronteiras do Brasil, mas não tendo praticamente nada a ver com o Brasil.
Tanto isso é verdade que a moeda que circulava na cidade era sempre proveniente dos países vizinhos. Aqui o Brasil não se fazia presente nem oficial, nem extra oficialmente.
Portanto toda essa nossa formação inicial está intimamente ligada aos nossos países vizinhos, por aqui vivendo argentinos e paraguaios sem que existissem qualquer tipo de problema. Brasileiros começam a chegar em função da expansão da fronteira agrícola, mas tudo ficava praticamente como estava antes, em vista de um isolamento que não propiciava uma melhoria na vida social.
Praticamente os nossos primeiros cinqüenta anos de existência estarão fortemente marcados por esse isolamento que deterá qualquer atividade mais significativa.
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(*) José Afonso de Oliveira é professor universitário em Foz do Iguaçu, Paraná.
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