Ultimamente temos visto muitas reportagens nos meios de comunicação de massa anunciando um velho/novo problema: a violência nas escolas. Trata-se de um reflexo da crise sócio-econômica crescente vivida atualmente e a escola, que até pouco tempo ainda era preservada como um santuário é agora tratada como qualquer outro espaço social.
A escola é na verdade o derradeiro lugar onde penetrou a violência, que é um sintoma de que o modelo de sociedade atualmente vivido está doente e já não consegue encobrir suas chagas.
Os professores solicitam maior segurança nos estabelecimentos escolares e os governos se arvoram de estarem estruturando um serviço de patrulha escolar: ora, polícia na escola é um mau sinal, é um alerta de que a tensão social está no limite.
A questão que se coloca para os governos, para os educadores e para a sociedade em geral é que não há como promover segurança somente dentro do ambiente escolar e o restante dos espaços sociais permanecerem como estão. A questão da segurança está diretamente ligada ao aumento da desigualdade social, do desemprego, da falta de perspectiva dos jovens.
Portanto, ou a sociedade como um todo repensa seus valores, princípios e ações e toma atitudes que acenem para a reversão do quadro crescente de exclusão social, ou em breve veremos ainda mais claramente que nem mesmo shopping centers ou condomínios fechados proporcionam segurança.
O fato é que, mantidas as atuais formas de acumulação, que produzem pobreza na proporção geométrica em que produzem riqueza, as condições de segurança só tendem a piorar, e, ou todos temos segurança ou ninguém terá. Esse repensar da sociedade implica abandonar o princípio desenvolvimentista, que se mostrou uma grande bobagem, afinal, é fácil perceber que o mundo produz mais alimento e riqueza do que o necessário para que TODOS vivam dignamente, e mesmo assim a miséria é crescente no mundo.
Nós educadores temos a obrigação de perceber que é inútil reivindicar uma solução de segurança que atenda somente a escola, e temos a obrigação de ofício de quem trabalha com processos de formação humana, de contribuir para o enfrentamento desse assunto, mesmo que pareça uma discussão a contra-pêlo.
(*) Silvana Aparecida de Souza é doutoranda em
Educação pela USP e professora da Unioeste - Foz do Iguaçu
Texto publicado originalmente no site Megafone |