(*)Daniela Schlögl
Uma das provas claras de que a capacidade crítica das pessoas ao nosso redor está fortemente abalada é a questão de considerar a instalação de um shopping uma “vitória” para a cidade. Escutei isso algumas vezes.
Já diziam Blauth e Obuhab "Os apelos para o consumo têm sua expressão máxima nos templos de compras: os Shoping Centers que nascem nas cidades brasileiras com velocidade estonteante. Ali acontecem os ritos de passagem contemporâneos: a primeira namorada, a refeição, o presente.
O ano é oraganizadoem datas de consumo: dia dos pais, , mães, namorados, natal, crianças."
A vida real de uma cidade começa a girar em torno do shopping e depois de outro e de outro. Sim, a economia gira, mas os beneficiados continuam sendo os mesmos. Gera emprego?
Claro, mas os empregados mal conseguem sobreviver com o salário, além de não incentivar a a cultura local e reproduzir a idéia de que TER é definitivamente mais importante. A necessidade é deixada de lado e entram em cena o desejo, o status e segundo propagandas inescrupulosas a própria tão sonhada felicidade.
E estes fatos não acontecem isoladamente, eles se multiplicam na mesma velociade que a miséria, a aculturação e o preconceito sobretudo econômico.
O incrível é que a multiplicação de templos de compras são uma vitória, e a multiplicação da miséria (existencial) é uma desgraça. Estranho.
Bom, procurar culpados e acreditar ser vítima de uma teoria da conspiração não nos faz viver com mais dignidade ou sim?
(*) Daniela Schlögl é educadora em Foz do Iguaçu.
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