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Carta a Dom Sebastião

(*) Marcelo Christ Hubel

Aqui na minha prisão de carne, ossos e músculos, tenho sido uma pilhéria, um pasmo e reticente espectador dos rituais e da hierarquia. Sei que somos substância de um sonho sonhado por outro, e que nele, ininterruptamente somos Deuses. Desconhecidos e vaidosos tentamos nos entranhar naquilo que presumimos ter criado. E os mistérios são velas tombadas, mãos atadas à escuridão. Pois durmam meus pequenos, durmam e sonhem, sonhem os sonhos mais impossíveis, os sonhos mais loucos e sensuais, cubram a terra de visões, deixem a metafísica, a iniciação, aos insones, eles tentam em vão despertar D´us. São sombras de Sua ficção. Eu os guardarei, embalarei seu sono, vocês terão sensações que nenhum ópio pode lhes dar, não precisarão mais do absinto, nem do haxixe, apenas dispam-se e deitem-se. Sintam a terra, confundam-se com ela, docemente o céu lhes engolirá, agora são livres pra criar... com um simples toque se ergue um templo, de seu canto serão formados os vales, as montanhas e o mar, do movimento de seus corpos, os planetas, sua cópula multiplicará estrelas, povoará o universo. Assim...

(*) Marcelo Christ Hubel é bancário em Santa Helena, Pr.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
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