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PROSA POÉTICA
Insubstâncias

(*)Vanessa da Silva

a menina de saia rodada não sabia o que queria ser quando crescesse e assim dizia às vezes: quando crescer, serei eu mesma. ela nunca soube que se ser é impossível. nunca se é, sem ser um pouco dos outros. ela escrevia nua em seu quarto e queria junto à sua pele, uma outra. pele e pelancas. pele e palavras moles. pele e olhares de amor. pele e bocas tortas. pele e um dedo. pele pele pele.

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escrevo pois tenho vontade de que minhas palavras sejam as certas. sei que não são. sei que são enfadonhas...sei que gosto de música e de coisas intensas, por mais que não o seja. só de vez em quando, de vez enquandinho...muito raro, na maioria das vezes em que sou intensa, estou só. passa bem rapidinho. tem vezes que tenho vontade de me comer de tanto que me amo. mas só as vezes também. e tem vezes que os pernilongos querem me levar. já pensou que imagem legal, nãp digo bonita, mas imagine a notícia. garota levada por uma nuvem de pernelongos, em minha dispensa isso quase acontece, é assustador acordar naquele quarto. ver que dormi acompanhada daquele monte de seres de fato é assustador. meu rosto estava até ficando deformado...não. isso é exagero. gosto de exageros. ainda não cresci e parece que vai demorar. não tenho vocação para ser intensa. ser intensa é não viver nesse mundo. ser intensa é não ter contas a pagar, é não ter e não tomar pra si responsabilidades. intensidade. palavra feia e um significado tão bonito.

Conheça o blog de vanessa da silva.

                        
(*) vanessa da silva é aprendiz de professora em Andradina .

   
 
 
 
 
 
 
 
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