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APOIO CULTURAL:

















OPINIÃO

Chega de desenvolvimento

(*) Juvêncio Mazzarollo

 

Pára tudo! Dá um tempo! Assim não dá! Por toda parte, (quase) todas as cabeças têm uma única solução para todos os males do mundo: desenvolvimento, robustas taxas de crescimento econômico. Só por essa via, dizem, será possível os povos pobres se tornarem ricos e os ricos se tornarem ainda mais ricos – como se ser rico, cada vez mais rico, fosse o ideal por excelência dos seres humanos e das sociedades, e como se isso fosse possível, indefinidamente.

Não, não é. Nos padrões em que está posto, o desenvolvimento é mais o caminho do colapso do planeta Terra e dos seres que nele e dele vivem, do que a redenção dos desafortunados e o paraíso terrestre para os afortunados. Esse desenvolvimento aí é, sim, pura devastação dos recursos naturais, os indispensáveis e também os dispensáveis à vida.

O sucesso ou fracasso de um governo e de um país atendem pelo nome de crescimento do PIB (produto interno bruto). Crescimento baixo, tremendo fracasso; crescimento alto, retumbante sucesso. Entre os fracassados está o Brasil, que há muitos anos registra taxas de crescimento entre zero vírgula qualquer coisa e menos de 5% ao ano, e entre os sucessos, a China, que há anos cresce lá pela casa dos 10%. Só que a China vem promovendo uma devastação de recursos naturais sem precedentes na história humana sobre a Terra. O atual ritmo de desenvolvimento da China é rigorosamente insustentável. O colapso é questão de uns trinta anos, se tanto. Logo vai começar a faltar de tudo por lá.

E que tal o desenvolvimento tentar a proeza de proporcionar à humanidade inteira o decantado american way of life (modo de vida americano)? Melhor abandonar já a pretensão, porque para isso, dizem os entendidos, seriam necessários outros três ou quatro planetas iguais à Terra. E onde estão eles?

Não bastasse a inviabilidade, a insustentabilidade do desenvolvimento que se está construindo, há outro motivo básico para abominá-lo: a concentração cada vez maior da riqueza que ele gera nas mãos de uma minoria de pessoas e países. A maior mentira dos desenvolvimentistas é a proposta de crescimento econômico como solução para a miséria nas suas mais variadas e deprimentes formas. Historicamente, o desenvolvimento, ao invés de diminuir a pobreza, só tem aumentado a opulência dos ricos.

Ou seja, esgota-se o planeta, inviabiliza-se a sobrevivência humana, animal e vegetal para deleite de uns poucos e agruras de muitos – por pouco tempo mais, ainda bem! E a isso chama-se de desenvolvimento. Então, abaixo o desenvolvimento!

Dirão que há alternativas de desenvolvimento sustentável, capazes de inverter essa lógica perversa e suicida. É possível. Mas para implementá-las seria necessária uma mudança de conduta radical, que a humanidade demonstra ser incapaz de promover desde que Caim matou seu irmão Abel e mesmo depois que recebeu a visita dos céus na pessoa de Jesus Cristo.

(*) Juvêncio Mazzarollo é jornalista em Foz do Iguaçu.
j.mazzarollo@uol.com.br

 

 
 
 
 
 
 
 
 
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