Competição,
a desgraça humana
(*) Juvêncio Mazzarollo
Pessoas, empresas, instituições precisam ser competitivas. Competir, concorrer, vencer, derrotar é o que importa para se dar bem na civilização que trouxe a humanidade até aqui e, pelo visto, mais adiante não terá para onde ir. Cada vez com maior impertinência, coloca-se na cabeça de todos que é preciso ser competitivo, capaz de sobrepujar os outros, com garra. E tome capacitação, concurso... e decepção.
Tal concepção, num ambiente socioeconômico de oportunidades poucas e competidores muitos, vai criando cargas de amargura e estafa sempre mais pesadas, especialmente nos jovens que se apresentam para disputar espaço no mercado de oportunidades.
A competição se dá entre os humanos e entre estes e os demais seres, vivos ou não. Garbosamente, a humanidade, embalada pela idéia da conquista ilimitada, do inesgotável, foi fazendo isso que está aí: “Planeta em Pane” – seria o nome do filme, não fosse a realidade.
O resultado é um planeta insustentável e uma humanidade inviável – e assim vamos aprendendo (tarde demais?) que a competitividade é uma calamidade. A desgraça humana.
Fica uma idéia para um presumível projeto futuro de ser humano: fosse ele, o ser humano, eminentemente cooperativo, ao invés de ferozmente competitivo, não teria levado a Terra e todos os seres que a habitam ao impasse que os cientistas vêm sinalizando e está à vista de todos. Os alarmes são cada vez mais tonitruantes.
O esgotamento progressivo dos recursos naturais vitais e um meio ambiente cada vez mais hostil à vida gerarão disputas encarniçadas, calamidades ainda mais dramáticas do que as climáticas. Tudo será disputado a unha, se não for criado um mecanismo capaz de fazer imperar a cooperação, solidariedade, partilha do que houver. Dá para acreditar que esse mecanismo vai existir, vai funcionar? A experiência histórica não é nada alentadora nesse sentido.
Os tempos que correm e os que vêm chegando precisariam encontrar a humanidade movida a cooperação, mas a encontram em verdadeira histeria competitiva.
Dirão que a competição pode ser saudável, virtuosa, desde que... Sim. É mesmo inimaginável a eliminação desse componente do “DNA” do ser humano, como dos demais seres vivos. Mas há – segundo ensinou Jesus Cristo, por exemplo, entre tantos – maneiras de organizar as comunidades humanas e a humanidade toda de forma que o cooperativo prevaleça sobre o competitivo. Seria o certo, mas o ser humano não é assim. Por isso vai se estrepar. ( j.mazzarollo@uol.com.br )
(*) Juvêncio Mazzarollo é jornalista ambiental em Foz do Iguaçu.
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