OPINIÃO
O Brasil supera objetivos
da ONU para o milênio
(*) Juvêncio Mazzarollo
No ano de 2000, reunidos na Organização das Nações Unidas (ONU), líderes de 191 países fixaram os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio que se iniciava. O documento indicava objetivos quantitativos e qualitativos a serem alcançados já nos primeiros 15 anos do século 21. O desafio básico proposto é verdadeiramente monumental: reduzir a probreza extrema pela metade até 2015.
Os objetivos acordados naquela cúpula fixaram alvos claros e mensuráveis em uma série de questões de importância vital, como aumento do número de crianças nas escolas, melhoria da assistência à saúde, redução da mortalidade materna e infantil, combate às principais doenças e diminuição drástica da degradação ambiental. Tudo isso faz enorme diferença na qualidade de vida das pessoas em todo o mundo.
Transcorridos oito anos, em novembro próximo o Brasil será sede da Conferência Internacional sobre os Objetivos do Milênio, para uma avaliação de resultados, dificuldades e perspectivas.
Que “novo” mundo encontrarão os líderes mundiais? A ONU informa que hoje há 41 milhões de crianças a mais na escola, 3 milhões de crianças a mais que sobrevivem à primeira infância todos os anos e 2 milhões de pessoas a mais que recebem tratamento contra a Aids. São dados alentadores, sem dúvida, mas o caminho ainda é longo e árduo.
Entre os países que mais avançaram está o Brasil, justamente o país apontado como um dos campeões mundiais de desigualdade social e da concentração de renda, entre outros títulos. O Brasil mostra que, quando há vontade política e ação efetiva, as mudanças acontecem, como vem ocorrendo no governo popular do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, iniciado em 2003. Nunca antes no Brasil um governo esteve tão clara e corajosamente comprometido com a elevação da qualidade de vida da população pobre e miserável.
Por exemplo, na consecução do objetivo de reduzir em pelo menos dois terços a mortalidade infantil até 2015, em relação a 1990, o Brasil, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é um dos poucos países que alcançarão a meta antes do prazo. Em 2012, o índice no país deverá ser de 14,4 óbitos por mil nascidos vivos (era de 43,2 em 1990). Esse avanço está diretamente associado à melhoria da qualidade da atenção básica e à ampliação do Programa Saúde da Família (PSF), hoje presente em 5.141 municípios (92,4%) e com uma cobertura assistencial a 89,3 milhões de brasileiros (47,5%).
A meta da ONU de reduzir pela metade a proporção de pessoas que vivem com menos de US$ 1 por dia já foi superada no Brasil. Em 1990, 8,8% dos brasileiros viviam em situação de pobreza extrema. Em 2005, essa porcentagem era de 4,2%, um resultado que supera as metas fixadas pela ONU. Em termos absolutos, isso significa que 4,7 milhões de pessoas saíram de uma situação de pobreza extrema durante esse período.
Progressos semelhantes podem ser observados nas cifras sobre desenvolvimento humano e emprego divulgadas recentemente pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL).
É evidente que ainda há muito a ser feito no Brasil, assim como em outros países. Mas a pobreza foi reduzida, o trabalho infantil está sendo reduzido, as condições de saúde estão melhorando e as oportunidades de educação e emprego estão crescendo.
Se todos os países tivessem alcançado o mesmo grau de progresso do Brasil, já estaríamos a caminho de cumprir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.
(*) Juvêncio Mazzarollo é jornalista em Foz do Iguaçu, Pr.
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