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CONTO

Estranhos em Quinzamo

(*) Wermerson Augusto

 

Quentura, friagem, perguntas e surpresas fazem de Quinzamo uma província inigualável. Achada no meridional de Potoquadro, a cidade cativa e arrebata os moradores do planeta Ueucomis. O cordão que unem os seres destes mundos é a curiosidade.

Já a adoração, o consumo e o comércio da Brujanga, borbulham na mente e no coração das crianças, adultos e idosos do vilarejo de Amarelos Pastel. A cancha amarelada é a única região com morada na cidade de Quinzamo. Na ladeira, estão concentrados todos os habitantes. As casas têm quatro janelas de madeira, paredes de barro e teto de palha.

No alto da cidade avistasse as redondas copas das pequenas árvores de Brujanga. Lá, às seis da tarde os Quinzimbim se reúnem para passear entre os labirintos azulados das folhagens. Até a meia noite, eles mastigam e cheiram a Brujanga, enquanto caminham e conversam.

Quanto mais quente a folha, maior a quantia de energia e vitaminas. As folhas frias são consideradas imaturas e novatas. Para a seleção de força, capacidade e maturidade da folhagem, os Quinzimbim não aplicam métodos. Muito menos procuram as mais formosas.

As mais indicadas para o momento, exalam seu cheiro e sua produção de Zinhamo - espécie de líquen do pólen da flor da Brujanga. Do suco eles aproveitam o cheiro. Das folhas eles sugam as fibras. Este é o alimento dos Quinzimbim. Depois de saciar o desejo de sentir, cheirar e ingerir. É hora de repousar. O descanso é feito dentro das casas, com as janelas semi-abertas e muitas luzes acessas.

Pela falta de banho de sol, os moradores do vilarejo de Amarelos Pastel, passaram a apresentar semelhanças nos traços fisionômicos e na cor da pele. Essa mutação é notada a partir de 2982. Desde então, os nascidos na inclinação azulada apresentam peles amareladas. Em comum, revelam indignação ao formalismo, hipocrisia, burocracia, tecnocracia, bajulação e as perguntas-respostas dos cientistas de Ueucomis.

Os turistas pesquisadores são homens e mulheres de pigmentação branca, negra e avermelhada, facilmente vistos e capturados pelos lanterneiros celestinos. Estes curiosos e autoritários que querem impor teorias e saberes na comunidade, nunca mais voltam de onde partem. Em vez de covas, ganham os amontoados de adubos, formados por fezes dos Quimzimbis e dos cachorros de Amarelos Pastel.


         (*) Wemerson Augusto é jornalista em Foz do Iguaçu. Coordenador do projeto Megafone de Comunicação comunitária.

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