A LÍNGUA DO FOTÓGRAFO E O OLHO DO POETA
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....................................................................................................."Na estrada", de Áurea Cunha
Bola murcha
(*) Áurea Cunha
Roland Barthes ao tratar da fotografia diz que o melhor não é fotografar o que é notável, mas tornar notável aquilo que se fotografa. Interesso-me por este pensamento do filósofo e teórico das representações na medida em que ele pode funcionar como uma libertação visual, convidando-nos a simplicidade.
As imagens se aproximam de poesias visuais quanto mais forem simples. O problema é que ser simples não é tão simples assim em tempos pós-modernos.
Vivemos uma sociedade cada vez mais calcada na imagem, leia-se na aparência onde o espetacular prevalece. Em fotografia costumamos dizer que o menos é mais, mas em quase tudo encontramos um excesso.
Queremos apertar o botão da câmera tão rapidamente que mal enquadramos o tema e logo pensamos: depois reenquadro no photoshop. Por falar em photoshop, essa espécie de bisturi virtual, com ele ninguém fica feio na foto. Dependendo da habilidade do operador, apagam-se as amadas rugas em um piscar de olhos e manda-se para as cucuias a história impressa no rosto, às vezes a custa de sangue, suor e lágrimas. . .
Buscar o simples na fotografia ou em qualquer outra coisa é complexo, temos que abrir um espaço nas montanhas de objetos e coisas que desfilam à nossa frente. Afastar o ruído, recortar com clareza se torna tarefa árdua diante de tantos estímulos Quase sempre fracassamos na tentativa de fazer silêncio e contemplar.
O problema é que a poesia - seja ela em que forma for - não aceita o desaforo da pressa e da complicação. O simples continua e sempre continuará no topo da hierarquia e, isso, felizmente não se pode modernizar.
(*) Áurea Cunha é fotojornalista em Foz do Iguaçu.
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"Todas as Cores do Mundo - Retratos do Multiculturalismo Iguaçuense"
e "Sem Legendas", de autoria de Áurea Cunha.
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