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CRÔNICA

Oceânica
(*) Célia Musilli

Se eu tivesse juízo, não pensava mais em amor. Estive por aqui de amor, ó.  Mas eu gosto tanto. Sou riquíssima em perdas e delicadezas, sei que não sou a única, mas rios delas correm dentro de mim...E a nascente dos sentimentos, apesar de tudo, não seca. E na foz das palavras quantos versos, quantos cantos, quantos encantos, quantos sussurros. 

Mas, como eu dizia, se eu tivesse juízo, não pensava mais em amor. Pensava numa vida prática, tudo nos seus lugares, sem esperanças nem ilusões. Apenas a vida, a vida como um riachinho, onde a gente afunda os pés, só até os tornozelos.  

Mas eu sempre quis o oceano, navego muitas vezes sem farol, a esmo, correndo o risco das águas profundas. Nasci marinheira, sabe? Marinheira e poeta. Na palavra, e só nela, encontrei a redenção das delicadezas doídas, tatuagens diáfanas do meu espírito sempre inquieto...


(*) Célia Musilli é jornalista em Londrina, Paraná. Visite o blog Sensível Desafio, editado por ela, clicando aqui.

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