OPINIÃO
Discurso
(*) Daniela Schlögl
Normalmente escuto alguma perplexidade ao prestar atenção em algum discurso político dos meus governantes, desta vez não foi diferente, porém, puxa-saquismos à parte, achei perplexamente brilhante um trecho do discurso de uma secretária de estado. Sim! um cargo comissionado, uma destas secretárias que trabalham com os “monstros”, os “trombadinhas”, os “marginais”, os “agressores” ou qualquer outro nome horrível que a sociedade dá aos adolescentes que são fruto da própria.
Podemos chamá-los de “menores” como fazem aqueles que querem se fazer de entendidos e usam esse termo tão carregado com preconceito quanto as manchetes do primeiro presidente negro dos Estados Unidos.
Em certa ocasião, que achei bem propícia, essa secretaria começou a discursar e explorar em fala os significados do adolescente dentro de um grupo até dizer que o jovem tem o papel de nos trazer mudanças, de nos trazer o novo, o jovem, senão trazer, ao menos mostrar. Os jovens são tendências em impacto com costumes, e assim ela chegou ao jovem que comete infrações, também chamados “em conflito com a lei”, e eles o que representam para nós? Qual o papel deles dentro do nosso grupo?
- O mesmo. Foi a resposta dela.
Eles estão cumprindo os seus papéis, estão gritando e nos mostrando que não está tudo bem. Eles sim estão nos mostrando muitas coisas.
Essa foi a base do discurso, tão profundo, tão sensível. Achei que quem o fez é a pessoa certa no lugar certo, mas não fiquei feliz por isso, já que é um fato excepcional, porque a reflexão dos meninos agora estava em mim, latente. Angustiante.
Daniela Schlögl é educadora em Foz do Iguaçu, Paraná.
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