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CRÔNICA

Um par de asas
(*) Scheila Stahl

 

Noite de outubro, sufocante, como tantas outras noites de Foz do Iguaçu. Mesmo na estação das flores, o clima de nossa cidade não poupa nem os mais íntimos admiradores de suas belezas naturais, deixando-nos completamente exaustos após um dia de altas temperaturas.  Muito próximos a mim, dois jovens, que aguardavam o mesmo que eu, comentavam seus sonhos. Tiveram um sonho em comum: sonharam que tinham asas! Que saíam voando por aí! Eu, já cansada daquele dia de trabalho, achei graça. E achei também tolice sonhar que se têm asas, como se fosse o tipo de sonho permitido somente enquanto somos crianças. E me desliguei daquela conversa a meu lado.

Alguns dias depois, não sei o porquê, ou talvez, bem no fundinho, eu saiba... Lembrei deste assunto e pensei muito sobre ele. Mas não sonhei com ele, o que eu queria, naquele momento, era ter o meu par de asas, reais. Para quê? Você, leitor, buscará as suas respostas, pois as minhas são um tanto tolas e infantis. Que ironia!

Descobri naquele momento que gostaria de possuir asas, assim como os pássaros e as borboletas, pela liberdade de ir e vir sempre que eu desejasse percorrer outros lugares, outras paisagens, sem que fosse necessário me preocupar com as fronteiras geográficas, políticas ou culturais. Assim, me imaginei sobrevoando toda a América Latina e descobrindo, bem de perto, que tudo o que aprendemos nos livros e vemos nas fotografias, é muito mais lindo e também muito mais feio, mas sem deixar de ser maravilhoso!

Voando, eu atravessaria os oceanos e conheceria de perto lugares, pessoas e culturas que sempre me fascinaram, mas que certamente, sem asas, eu não conhecerei. Então agora, aqui estou eu, desejando profundamente tornar real um sonho ora considerado tolo! E percebo também que são esses sonhos tolos que nos resgatam deste mundo/ desta realidade banal, egoísta e sem sonhos e nos permite sorrir como crianças novamente!

Agora, pense um pouquinho e responda, apenas para si mesmo: para onde você voaria com o seu par de asas?

(*) Scheila Stahl é formada em Letras - Português/Espanhol pela UNIOESTE - Foz do Iguaçu. Professora de Espanhol do Estado do Paraná

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