CRÔNICA
Milhão pelo tostão
(*) Eliandro Avancini
Outro dia escrevi a “Crônica da Morte”, logo me veio à cabeça escrever uma crônica que retratasse o inverso, a vida. Mas por onde começar? Pois como retratar a vida com muitas possibilidades de abordagens. Algumas idéias me puseram a vontade para escrever. E neste caso eu vou abordar a vida por sentimentos, que nos tornam humanos, ou que nos humanizam. Sendo a solidariedade, um dos principais, dentre tantos outros.
Recentemente fomos todos tocados por centenas de histórias tristes surgidas após os acontecimentos naturais no estado de Santa Catarina. As fortes chuvas aliada a condições geográficas favoráveis fizeram com que milhares de pessoas perdessem suas casas, seus carros, seus negócios e em alguns casos mais drásticos, seus familiares e pessoas que amam. Tal fato comoveu toda a nação, construindo assim uma corrente de solidariedade incrível.
Milhares de pessoas se mobilizaram e de alguma forma contribuíram com as vítimas das chuvas em Santa Catarina, doando roupas, comida e dinheiro. Interessante é que em alguns apelos por doações em dinheiro na TV eram seguidos da informação que os valores seriam fiscalizados pelo Ministério Público, quase hilário se não fosse trágico. Isso nos leva a pensar que em outras épocas, as doações ou quem cuidava delas, não eram tão honestos assim.
Outro fato interessante é a forma que o Governo Federal tratou o caso. Rapidamente informou uma doação de 1,6 bilhão de reais para SC, muito? Migalha perto do que destinou para salvar os bancos que quebraram com a crise, uma bagatela de 160 bilhões de reais. E o fato mais interessante é o caso da doação a SC, que enfrenta problemas burocráticos para liberação, enquanto os bancos botaram a mão rapidamente na grana, isso é uma lástima, uma vergonha federal. Neste caso, vale lembrar ao Governo Federal um velho ditado popular: “Diga-me com quem andas que direis quem tu és!”.
Mas o que importa é lembrar que somos humanos “ainda”, porque em tempos de canibalismo capital, poucos são os exemplos que nos enchem de esperança de um mundo melhor. A solidariedade neste caso foi o sentimento e ação mais contundente contra a falsa impressão de um mundo sem jeito. Somos capazes “ainda” de ver no outro a semelhança, igualar-se na condição humana, e isso nada mais é que a condição da VIDA.
(*) Eliandro Avancini é servidor público municipal e colaborador do MEGAFONE, onde a crônica foi publicada originalmente.
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