Decantado por Voltaire, as Reduções Jesuíticas dos Índios Guaranis, patrimônio histórico cultural da humanidade, figura como sendo uma dos maiores trabalhos humanitários de toda a história Ocidental. Isso é dito pela UNESCO quando elevou as ruínas como patrimônio da humanidade.
Quisera Atenas ter esse perfil, pois patrimônio da humanidade, mas não com essa envergadura. Estamos portanto sentados em um grande filão de ouro do turismo agora globalizado.
O mundo inteiro quer saber o significado das Reduções Jesuíticas, que sociedade foi organizada, o que ela nos legou. Podemos adiantar dois pontos hoje fundamentais: desenvolvimento sustentável e uma educação eficiente.
As Reduções possuíam uma economia própria não dependendo em absolutamente nada dos colonizadores. Nunca fez afronta à Espanha, mas jamais dependeu dela para se sustentar. Ensinados pelos jesuítas, os guaranis souberam ser independentes, livres e autônomos, diríamos hoje, soberanos.
Educados pelos jesuítas, puderam crescer utilizando o conhecimento que adquiriram. Não um conhecimento teórico, sem sentido, mas algo essencial para a vida deles, para a sua organização social, para a sua vivência.
Por tudo isso e muito mais as Reduções Jesuíticas ainda se constituem em marco referencial da Renascença em nossa realidade, especialmente nesta nossa Tríplice Fronteira. Distando cerca de 250 km, no Paraguai a redução de Trinidad e, em igual distância em território argentino, San Ignacio Mini. Essa volta ao passado, sempre uma rememoração de um grande momento da história da humanidade, onde, pela primeira e única vez, um povo culto, diferente, conseguiu uma convivência harmoniosa com um povo primitivo, sem destruí-lo. Os espanhóis e os portugueses colonizadores da nossa América, destruíram completamente as comunidades indígenas, por vários e diferentes motivos.
Pensar no século XVIII, vivendo no atual século XXI é algo sensacional, fundamental para todo o nosso setor de prestação de serviços, especialmente afeto ao ramo de turismo e hotelaria. Para cá convergem milhares de turistas sedentos por conhecer, visitar, ver, tocar em um verdadeiro museu ao ar livre, único em todo o mundo. Cheio de grandes significados, passagem obrigatória para o pensamento culto, desenvolvido da atualidade.
(*) José Afonso de Oliveira é professor universitário em Foz do Iguaçu.