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um texto de Wemerson Augusto publicado pela Guatá.

CONTO
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No buraco da fechadura

(*) Wemerson Augusto

 

No Palácio do Alecrim os dias eram engraçados e de muito trabalho, diziam os xerifes da repartição do globo ocular. Das patrulhas, projetos e mapeamento do crime, apenas as lembranças de muitas investidas imaginárias. Das páginas coloridas restaram velhos arquivos; dos furados mapeamentos de segurança do império sobraram alfinetes e bolinhas quebradas. Para alegria da Nação Alecrim, o falatório do senhor Berba continua firme e forte, como dizem lá na budega da esquina.

Fora isso, tudo, tudo foi esquecido. A borracha de Melinha - a donzela que anima as reuniões noturnas no império - esfarelou as promessas que Berba tinha feito a comunidade entorno do seu reinado. A jovem domou as rédeas do rei. A boca grande, os lábios carnudos e a língua treinada enlouqueceram Berba.

A elasticidade da moça deixou os parasitas do palácio exaustos. E para loucura completa, a jovem sempre nutriu admiração pelos conhecimentos teóricos globalizados do rei e sua manada. Dada a cópia de idéias e comportamentos, ainda hoje, os súditos sentem dúvidas de aceitar o convite da donzela.

Em respeito às senhoras do palácio, seu Berba e sua manada aloca Mel, nas repartições imperiais. Dos bancos almofadados e climatizados ela despacha e atende os escolhidos. Para justificar seu soldo, acompanha pelo globo ocular, o andamento das atividades no Estado Alecrim.

O relatório é diário. Da caneta da moça, saem os primeiros indícios de suspensões, ganchos, puxões de orelha, demissões, investigações e coações. Com o apoio da xerifada, assessores e rei trapalhão, a moça aponta e desaponta os trabalhadores do Estado Alecrim. Desde o buraco da fechadura a pequenos movimentos, nada passa despercebido pelas objetivas do globo ocular.

Com exceção da sala de terapia de Mel e o trono do rei, a ocular não se faz presente. Sendo assim, quando não há mais nada a realizar nos arredores de Alecrim, a jovem exerce o ofício de escrivã, respondendo a solicitação do povo da Republica. No entanto, Melzinha é diferente. Simultaneidade e variedade são os combustíveis que movem o corpo e a mente da moça, que abriga de baixo de suas saias tigresas, representantes de diversos assuntos da Republica Alecrim.

 

(*) Wemerson Augusto é jornalista em Foz do Iguaçu. Editor do Megafone.

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