Como de costume, estava fazendo as minhas expedições. Naquele dia, paraiva nas margens do Rio Paraná, aqui em Foz do Iguaçu, estado do Paraná, Brasil, na fronteira com o municipio de Ciudad Del Este, departamento Alto Paraná, Paraguai. Quando, de repente, avistei dois pássaros que pegavam vôo da margem paraguaia em direção à brasileira. Era um casal de “Anu-branco”, que pousou não muito longe de onde eu estava. As começaram a contar sem parar. Fizeram maior das arruaças. Não muito longe dali, outros pássaros da mesma espécie responderam o canto.
Será que são do mesmo grupo? O difícil foi entender em que idioma as aves estavam cantando. Será que era em Guarani? Espanhol ou português? Será que esse casal de Anu-Branco é paraguaio ou era brasileiro? Como não entendi nada do que diziam no seu canto, alimentei a idéia de que seriam paraguaios em virtude da recepção dada pelos outros que já estavam na margem brasileira. Não entendi direito, mas parecia ser um canto de boas vindas. E ao mesmo tempo dava impressão de que perguntavam aos recém-chegados de qual país vieram.
Fiquei com muitas perguntas sem respostas por não entender o que diziam no canto. E em que idioma cantavam. Me perguntei mais de uma vez de onde são os dois Anu-Branco. Será que tem imigração para entrar no Brasil? Será que fizeram a saída do Paraguai? Uma coisa ficou certa: em pouco tempo o casal se juntou com o outro grupo. Saíram todos juntos, sei lá para onde, numa arruaça total. Fiquei feliz, vi que eram amigos.
UM TURISTA DIFERENTE NA PONTE DA AMIZADE
Numa outra ocasião, eu caminhava sobre a Ponte da Amizade, entre Ciudad del Este e Foz do Iguaçu. Muita gente e de todas as partes do mundo. Várias nacionalidades, de vários idiomas, caminhavam sobre a ponte. Um personagem não muito comum também estava sobre a pista. Um turista diferente, no meio dessa mistura de gente me chamou a atenção. Sim, uma criatura de quatro patas também cruzava a fronteira. Isso mesmo! Um cachorro. Ele não estava nem aí com aquela monteira de gente. Caminhava calmamente em direção a aduana brasileira. O Brasil é bom !
Mais uma vez fiquei curioso e muito intrigado. Me perguntei: esse simpático cachorro “SRD” (sem raça definida) de onde é? Paraguai ou Brasil? Tentei me comunicar com ele usando todo o meu conhecimento, através de algumas palavras em português, guarani, espanhol e até mesmo em língua de sinais, mas não chegamos a um acordo. E ele se dirigia ao Brasil. Eita Brasilzão! Será que esse “SRD” tinha uma imigração para transitar livremente entre os dois países. Esse turista muito diferente não podia ficar barato. Abri a bolsa, tirei a câmera fotográfica e, como um bom turista, ele fez postou e entrou perfeitamente no click. Ele merecia, não merecia?
REFLEXÃO: “Nós, humanos, é que somos complicados. Até demais. Inventamos leis,
fronterizamos países. Dificultamos as coisas.
Sem ofensa, mas temos muitas coisas que aprender com os animais”.
(*) Francisco Amarilla Barreto é ambientalista, guia de turismo em Foz do Iguaçu, Pr. A crônica acima foi publicada originalmente no site Megafone.