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CRÔNICA
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Zuim...Zuimmmm...

(*) Célia Musilli

 

A criatividade humana me deixa pasma...Os cientistas inventaram um inseto-robô e o bicho tem o voo modulado por um simulador que regula seus movimentos. O simulador foi criado a partir de fotografias de alta velocidade, a fim de traçar a maneira pela qual partículas de fumaça fluem pelas asas de um gafanhoto de verdade em um túnel de vento. Trata-se de uma técnica chamada "velocimetria de fluxo de partículas." Isto permitiu que pesquisadores da Universidade de Oxford construíssem um modelo computacional do movimento da asa de um inseto.

Acho interessante pela engenhosidade. Mas fiquei pensando por que os cientistas ficam criando insetos artificiais, enquanto eu, aqui em casa, dou um duro danado pra acabar com os reais à base de tapas e chineladas. E erro tanto o alvo que fico até com raiva, imaginando que eles saem felizes cantando: “Eu sou a mosca que pousou na sua sopa”, só pra me chatear.

Eu adoro o verão, mas com ele chegam estes bichos voadores. Então, nobres cientistas, por que vocês não perdem um tempinho criando uma máquina de matar insetos sem que a gente precise sair da cama ou da poltrona pra dar conta destes bichos impertinentes? Eu tenho medo de insetos, detesto baratas voadoras e quero mais é vê-los no chão, com todas as patinhas viradas para cima, o que significa na linguagem dos entomologistas: “Inseto nocauteado e definitivamente morto!”

Acham que estou exagerando? Pois perguntem a um doutor qual o bicho que mais se deve temer nas florestas e também no meio urbano. Se pensaram em onças ou no bicho-homem, erraram redondamente. Uma das maiores ameaças à humanidade são os insetos...sorrateiros, rastejantes, voadores, venenosos e inoculadores de febres e doenças. Por isso, quero moscas bem longe da minha sopa e se um inseto artificial pousar por aqui vai se ver comigo, com o chinelo em punho...apesar da falta de mira que, inexoravelmente, me faz perder o alvo enquanto eles se safam cantando: “Eu sou a mosca que pousou na sua sopa...” Raul Seixas também soube me irritar quando compôs esta música que acaba com um zumbido: zuim...zuimmm. Acho que ele já tinha imaginado um protótipo do inseto artificial ou melhor...eletrônico. Raulzito era mesmo uma ficção!!! E uma mosca acaba de pousar aqui atraída por velhas lembranças.. zuim...zuimmm. Plaft! Errei.

 

(*) Célia Musilli é jornalista e escritora em Londrina, Pr. O texto acima foi extraído do blog "Sensível Desafio", editado por Célia.

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