OPINIÃO
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O indispensável in-útil
(*) Paulo Leminski
As pessoas sem imaginação estão sempre querendo que a arte sirva para alguma coisa. Servir. Prestar. O serviço militar. Dar lucro.
Não enxergam que a arte (a poesia é arte) é a única chance que o homem tem de vivenciar experiências de um mundo de liberdade, além da necessidade.
As utopias, afinal de contas, são, sobretudo, obras de arte. E obras de arte são rebeldias. A rebeldia é um bem absoluto.
Sua manifestação na linguagem chamamos poesia, inestimável inutensílio.
As várias prosas do cotidiano e do(s) sistema(s) tentam domar a megera. Mas ela volta a incomodar.
Com o radical incômodo de uma coisa in-útil num mundo onde tudo tem que dar um lucro e ter um por quê.
Pra que por quê?
(*) Paulo Leminski, escritor e ensaísta paranaense.
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