É uma terapia. Passa-tempo, perda de tempo, relatos, fatos, memórias. Não sei, acho que o ‘escrever’ se encaixa nesses vários padrões e derivações de mesmas coisas. Sempre escrevo por que sou obrigada, ócios do ofício e essas coisas, às vezes escrevo por prazer, pra relembrar, pra não esquecer. Às vezes escrevo pra fugir. Fugir de mim mesmo, dos problemas, e de certa forma, contar ao papel o meu segredo. Invento um alguém imaginário com todas as minhas características, sonhos e ideais. Faço-o dizer aquilo que não tenho coragem e me sinto merecedora de tudo aquilo que não me satisfaz, mas me enche o ego.
Me dou conselhos que gostaria de receber de alguém, me faço piadas sem graça e me imagino a melhor. Ali eu posso, ali eu mando. E assim o faço. Imagino que o mundo conspira ao meu dançar, e tudo anda do jeito que eu quero. As pessoas obedecem os meus pensamentos e agem da maneira que eu desejar. Os carros, pássaros e avenidas, todos olham para mim e elogiam a beleza que eu inventei. Todos cantam a minha música, na mesma sintonia e tom, no mesmo balbuciar. Mas quanta monotonia, não? Quanta mesmice. Pois é, concordo. Mas não há como negar o quanto eu queria que tudo andasse como nos meus papéis. É uma fuga, sim. Pois depois de tantos sonhos relatados, o meu livro se fecha, e a vida torna ao normal.
Melancolia talvez. Mas pelo menos eu fugi, e nesse tempo, compartilhei com ele os meus anseios, e ele me deu os meus conselhos, os que eu inventei, os que eu quero ouvir. O quão poderoso pode ser um papel e uma caneta. Eles te decifram sonhos, te ajudam a encontrar o caminho, e você, te ajudam a se achar dentro de você. Escrevo por que é bom e me satisfaz, se não o fosse, não faria. Depois de tudo resolvido, apago e guardo na memória o tempo dedicado. O anseio passa, mas o medo da descoberta de quem realmente é, não, mas a realização conquistada faz com que eu me descubra no meio de tantas letras passadas pra ‘vida real’. Porque escrever é assim... uma terapia. Passa-tempo, perda de tempo, relatos, fatos, memórias, vários padrões e derivações de mesmas coisas.
(*) Gabriela Beck é estudante de jornalismo em Foz do Iguaçu, Pr.