CONTO ___________________________________________________
Leitura interrompida
(*) Patricia de Souza
Em pleno labirinto, nome destinado a minha pequena quitinete, numa noite quente de Foz, estava eu a observar palavras. A maioria delas, tomadas pelos meus olhos atentos e desconfiados, transitavam numa lentidão ameaçadora.
Encontravam-se apreensivas, não só pelo ambiente com frequentes problemas, mas também por alguém covarde, que da sombra, amedronta-se.
Nesta época do ano, numa estação de cores quentes, tudo parece aflorar. Cupins, por exemplo. Atraídos por papéis e madeiras, somado ao calor nada estranho de Foz, decidiram eles, inconvenientemente, apropriar-se do pequeno espaço em que me guardo. Objetivaram atrapalhar o meu ócio, o pouco sossego em que encontro num sistema cansativo.
Quem atrapalhou quem? Palavras, cupins, eu com os meus olhos raivosos? Pergunto-me até agora...
Veio então a minha indignação: o apagar da luz, o início de um sono forçado e com poucas palavras.
Ao acordar encontrei com rebeldia cupins e letras devoradas por eles...
Insatisfeita, voltei a lê-las, assim mesmo, mortas, despedaçadas.
(*) Patrícia de Souza é professora do ensino fundalmental em Foz do Iguaçu, Pr.