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CRÔNICA
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Sonhos que escolhem; escolhidos que sonham

(*) Jovimari Balotin


É surpreendente como uma ação nossa pode influenciar alguém e reverter, sem que esse tivesse sido o objetivo principal, para o nosso bem. Esta minha história nada tem a ver com o caos, mas seu efeito tem a beleza, a leveza e o movimento de uma borboleta.

O tempo parece estagnado quando o assunto é reencontrar velhos amigos. Foi na academia de ginástica que reencontrei a Mylene. Havíamos sido colegas de trabalho há mais de vinte anos. Entre conversas, lembranças e anseios seguíamos nos vendo quase todos os dias. Eu não sedentária; ela querendo deixar de ser.

Dia a dia a Mylene demonstrava persistência e dedicação; emagrecia e melhorava o condicionamento físico. Vendo sua animação, resolvi chamá-la para a Corrida Noturna de 8 km que haveria em breve. Surpresa ficou ela com meu convite e surpresa fiquei eu, dias depois, por saber que ela havia feito a inscrição.

Sentindo-me com a responsabilidade de uma instrutora, começamos a treinar na rua três dias na semana. Alguma noção eu já tinha, mas minhas corridas eram quase sempre solitárias. Junto e timidamente veio o Marcos, seu marido. Conforme melhorávamos nossa resistência, assumíamos, silenciosamente, o compromisso de não desistirmos e nos empenharmos mais e mais. Com as endorfinas sendo liberadas, o bem-estar e a alegria afastaram qualquer tipo de martírio e abriram espaço para a disciplina.

Eu só não esperava que com eles, algumas semanas depois, viria o Alex – e que traria, na simplicidade dos vencedores, sua história de desafios, conquistas e superações. Que ele seria nosso incentivador e real treinador. Desde então, nossos treinos iniciam-se nas manhãs de domingo, com divertidas corridas entre 8 e 11 km e se repetem nas noites de terças e quintas. É ele quem define nosso trajeto, nos alonga e nos força a passadas mais largas e rápidas. É ele quem nos alegra com seu sorriso espontâneo, bom humor e nos ensina que nossa limitação pode ser diminuída e nossa dificuldade superada. É com ele que duas palavras, ditas com intensidade e sinceridade, já marcaram nossas vidas como atletas: “Aí, GUERRREIRA!”, “Aí, GUERRREIRO!”.

Já participamos de outra corrida de 10 km, estamos inscritos para uma de 11,5 km e em breve outra de 8 km. Como num “efeito borboleta” o bem feito foi um fato bom que impulsionou uma ação entre o sonhar e o realizar; ou seria entre o andar e o correr?

O Alex é maratonista, tem 29 anos, ex-coletor de lixo, de família simples, com vida modesta é uma dessas pessoas que brilham, que saboreiam as alegrias das conquistas; que vivem o presente e, enquanto projetam o futuro, seguem o caminho – correndo, claro! (Há uma reportagem sobre ele neste site: http://www.clickfozdoiguacu.com.br:80/foz-iguacu-noticias/alex-dos-santos-a-historia-de-um-campeao). E depois de saber de sua história, a minha certeza é comum a tantos: o esporte, assim como a educação, são os transformadores capazes de mudar o mundo.

Será que, algum dia, seremos maratonistas? Nosso caminho não tem espaço para desculpas e nossas escolhas nos desafiam. Já ultrapassamos barreiras internas, estamos melhores do que imaginávamos e temos a distância do próximo sonho: 21,1 km - em algum lugar uma Meia Maratona nos espera!

(*) Jovimari Balotin é comerciante. Formada em Letras, tem 42 anos e, desses, 33 foram vividos na cidade de Foz do Iguaçu, Pr..

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