Pequeno Américo e sua primeira descoberta
[Tema infantil ]
(*) Mauricio Rodrigo Ferreira
Américo era um menino pequeno, daqueles conhecido popularmente como "arteiros".
Ocorreu certo dia, das entranhas de sua mente, já estar pronto para descobrir a esquina mais próxima sem o auxílio de seus queridos pais.
Forçando a mente para lembrar de que modo um espião holiwoodiano se preparava para uma perigosa ação, o menino puxou debaixo do sofá seu tênis vermelho, já surrado aparentemente pelo tempo, mas que lhe confortaria se houvesse fuga; do cesto de roupa suja tomou e vestiu sua calça jeans escura que o ajudaria a camuflar-se na sombra; e como último utensílio apoderou-se do casaco de seu irmão mais velho para uma melhor proteção no caso de Joãozinho aparecer e lhe atirar pedras como de costume.
Enfim, depois de seu vestuário completo, o menino saiu à porta e com ímpeto deu-se a andar em direção a tão cobiçada esquina.
Tudo tranquilo.
Até que próximo ao quadragésimo passo, deu-se conta que seus olhinhos insistiam em ver somente o horizonte, nem sinal da esquina, e para piorar percebeu que estava começando a ficar molhado, era suor, o sol, a pino, estava muito forte e ele não tinha pensado nisso. Como se não bastasse avistou a casa azul, igual ao mar, a qual do outro lado de suas cercas havia um cão terrivelmente escandaloso; embora nunca tê-lo visto, seus latidos podiam ser ouvidos de dentro de seu quarto. Entretanto aquela casa lhe dava a certeza que estava no rumo certo; mesmo com tudo aquilo contra ele nada o impediria de cumprir seu objetivo; o que o impediria, talvez, era aquela imagem: Joãozinho.
E assim lembrou que logo passaria em frente a casa de seu inimigo, e sabia que havia possibilidade de ele estar em casa.
" Dito e feito", assim que avistou a residência de seu rival, notou que havia movimentação na casa, um vulto estava na janela e para falta de sorte do garoto quem estava na janela era o próprio, Joãozinho.
O rapazinho interrompeu sua caminhada por um instante para pensar se continuaria e se sim, de que forma passaria pela casa de seu inimigo sem ser visto; mas nem bem parou e Joãozinho o vê, parecia até que o estava esperando. Então ele gritou da janela:
- Que fantasia é essa que está vestido? Parece o Jeca Tatu !
...Tatu é você, que não corta as unhas... - Pensou o menino.
- Espere aí, vou ver de perto suas roupas ridículas! Após exclamar, saiu da janela.
O menino preocupou-se " agora ele virá aqui, estou perdido, o que faço?" Sua mente estava confusa, não decidia se ia ou voltava, se enfrentava-o ou se já começava a chorar. "Poderia haver pena por parte do inimigo?" Mas ouviu vozes, concentrou-se para entendê-las.
" Joãozinho, o sol está muito forte, vai lhe fazer mal, não vai sair não, fique aqui dentro e não me desobedeça. Quando o sol enfraquecer você pode sair!".
O garoto entendeu que as ordens não seriam descumpridas. Então encheu-se de alegria e continuou a andar, um passo calmo e vitorioso, como se nada mais estivesse em seu caminho.
Não demorou muito e lá estava ele, a passos de encontrar a esquina. Então ele chegou, parou, descansou; observou bem as ruas, sentiu-se que estava onde o mundo começava; aquela esquina, para ele, era a rota dos quatro cantos. E descobrirá, talvez a primeira descoberta de sua tão juvenil vida, a sensação gloriosa da conquista, a qual, entre todos os filmes com seus geniais espiões e heróis, não o tinham lhe feito sentir.
Por um segundo o menino pensou em continuar sua caminha por uma das ruas, mas só por um segundo, logo percebeu que precisava crescer mais para continuar e que essa jornada seria uma outra história.
Em seguida voltou, rumo a sua casa, e rápido, pois não sabia até quando o sol continuaria forte.
(*) Mauricio Rodrigo Ferreira é estudande de ciência política e sociologia pela UNILA.