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CRÔNICA

 

São Longuinho, São Longuinho...

(*) Carina Paccola


De reza ela entendia. Formada numa família católica, conhecia muitos santos e sabia dirigir o pedido daquilo que queria para o santo específico. A vela de Santo Antônio não apagava nunca na esperança de encontrar um namorado e depois um bom marido.

Rezou todas as novenas que lhe caíram nas mãos e misturou com simpatias feitas religiosamente a cada 13 de junho. Botou a imagem do Santo de ponta-cabeça num copo com água, escreveu o nome de possíveis amados em papeizinhos, contou sete estrelas, amarrou uma fita azul no pé do Santo e até chegou a colar a foto dela e a de um namorado atrás da foto de Santo Antônio. E nada aconteceu. Até aconteceu, mas nada que durasse pra sempre.

Chegou a experimentar outro santo. Afinal, Santo Expedito não é o santo das causas perdidas?

Depois passou por uma fase zen e entendeu que a mente também é poderosa e, enquanto entoava um mantra, passou a mentalizar o amado, envolto em todas as cores existentes.

Na fase tecnológica, repassou todas as correntes que recebeu por email, sempre pensando na chegada de um grande amor. Também não deu certo, mas ela não perdeu a fé.

E eis que um belo dia veio uma inspiração. Como não havia pensado nisso antes? Achou até que a ideia poderia ser fruto de todas as suas rezas. Agora, ela já prometeu alguns pulinhos para São Longuinho se ele lhe der o amor perdido. Afinal, se tem santo com credibilidade é o São Longuinho. Ele já a ajudou a encontrar o boleto do aluguel, o título de eleitor e a chave do carro...

 

(*) Carina Paccola é jornalista em Londrina, Pr. Texto publicado na revista Escrita 15.

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