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PROSA POÉTICA

 

resguardo


(*) Fernanda Regina da Cunha


Por vezes o silêncio me faz melhor
Braços cruzados e olhos cerrados capturam uma necessidade que pretendo não ter
Seria isso um fechar para o mundo
Porque não ser
Tenhamos o direito puro e indistinto de adaptarmos a alma conforme nossa percepção do tempo
Hoje não quero contemplar estrelas
Tampouco sentir o sereno na cara
Não me traga a invocação de um sorriso
Quero apenas o sentimento apreendido
Tal qual a concha úmida e fria sem a cruel urgência de ser o que não é
Despida de cores e palavras, somente um... Um ser em si
Guardado em fontes, soluços e lembranças
Todos os vestígios de sua trajetória meticulosamente resguardados em seu mundo
De forma a compor aquilo que é
Aquilo que verdadeiramente é sua essência
Sem se deixar alienar pelas falsas composições a nossa volta repletas de subterfugios e banalidades ideais
Àquelas todas que tornam o cotidiano mortal mais simples
Não!
Recuso-me a aceitar tais fórmulas de felicidade
A realidade é outra
O real é puro, duro, simples e por vezes merece ser apreciado no interior de cada um
Ora, se não estamos em castelos que necessidade tenho de verbalizar ao teu lado qualquer sintoma de euforia
Vou agora recolher-me
Não me chame
Não me indague
Pois sou agora, o fruto seco de um tempo mal corrido.

 

(*) Fernanda Regina da Cunha é jornalista em Foz do Iguaçu, Pr.
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